Eleições presidenciais e a Bolsa de Valores: volatilidade não irá faltar

Eleições presidenciais e a Bolsa de Valores: volatilidade não irá faltar

Apesar de ainda estarmos distantes das eleições presidenciaisacontecimentos recentes demonstram que os agentes econômicos já começam a incorporar o principal evento que deve ditar o preço dos ativos financeiros no Brasil este ano.

No contexto dos mercados de bolsa, é comum que investidores e especuladores em geral busquem antecipar cenários atribuindo-lhes probabilidades. No jargão, costuma-se dizer que o mercado “precifica antes”. Isso porque aquele que consegue antecipar um cenário, um evento ou uma tendência – posicionando-se no ativo primeiro – tende a obter ganhos acima da média (anormais). Assim, agentes tentam “prever o futuro” e, naturalmente, ganhar dinheiro com isso.

De certa forma, pode-se dizer que o mercado é apolítico. Essa afirmação parece contraditória na medida em que grande parte dos seus agentes são defensores de uma agenda liberal na economia. Adicionalmente, é fato que o aumento da probabilidade de vitória de um candidato que se comprometa a endereçar os problemas fiscais do Brasil a partir de 2027 terá reflexos positivos na Se for assimmais precisamente:

  1. Aumento do valor das ações;
  2. Valorização do real perante o dólar norte-americano e;
  3. Redução dos juros futuros, qual seja, o “fechamento da curva”.

Painel na Bolsa de Valores de São Paulo Foto: Taba Benedicto/Estadão

Contudo, a afirmação de que o mercado é de “direita” precisa ser devidamente contextualizada. Inicialmente, tem-se a falsa impressão de que o mercado é uma entidade única, em que todos combinam o jogo.

Nada mais equivocado, pois trata-se de uma grande “feira” em que compradores e vendedores processam informações, analisam cenários e buscam tirar dinheiro uns dos outros. O mercado brasileiro, por sua vez, sofre grande influência de investidores internacionais. Atualmente, grande parte do volume financeiro da Bolsa decorre de transações realizadas por robôs.

Perceba, ainda, que para cada transação celebrada, há um comprador e um vendedor. De forma muitíssimo simplificada, quem comprou aposta que vai subir e quem vendeu acredita que o preço do ativo irá cair; o chamado wishful thinking não possui espaço nas mesas de operação.

À medida que o cenário eleitoral fique mais cristalino e os resultados das pesquisas eleitorais demonstrem as chances reais de cada candidato a presidente, o preço dos ativos financeiros passará a incorporar as novas matrizes de risco. Uma coisa é certa: volatilidade não irá faltar.

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