Além do varejo político, a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) carrega três elementos importantes, com impactos concretos para a história do País, segundo análise de Fernando Schüler.
O primeiro aspecto foi a atitude tomada pelo Senado Federal.
“Desde Floriano Peixoto não era rejeitada uma indicação do presidente e isso é uma anomalia. Não é razoável que em 130 anos de República, o Senado nunca tenha rejeitado uma indicação”, pondera o colunista, ressaltando que ao longo deste período o Congresso acabou funcionando como uma espécie de “carimbador” das indicações vindas do Executivo.

A derrota do governo na indicação de Jorge Messias (foto) para o STF carrega aspectos importantes, além do varejo político, que devem ser considerados nas próximas indicações Foto: Wilton Junior/Estadão
O segundo aspecto destacado é a derrota da política de indicação de amigos do presidente da República para uma cadeira de ministro do STF.
“O Supremo Tribunal Federal não é um órgão de assessoria da Presidência da República, não é para o presidente fazer bancada, não é este o critério que deve presidir, não só a escolha, mas a indicação final para o Congresso Nacional”, afirmou.
Leia também
Por último, o colunista destaca que há uma clara derrota de um certo conceito de “maioria” que hoje preside o Supremo Tribunal Federal, de um estilo de ativismo social, de protagonismo político institucional da Corte, que ganhou corpo a partir de 2019, com o surgimento do inquérito das fake news.
“Messias, obviamente, não era ministro, então não tem uma responsabilidade direta nisso, mas representa essa maioria, representa esse sistema”, explica Schüler. Veja a análise completa no vídeo.