
A Raízen tem no país vizinho uma rede de mil postos com a bandeira Shell e uma refinaria Foto: Divulgação/Shell
A Mercuria Energy Group, um dos maiores grupos independentes de energia e commodities do mundo, com sede na Suíça, e os empresários argentinos José Luiz Manzano e Daniel Vila devem anunciar a partir do meio de maio a conclusão da aquisição dos ativos da Raízen na Argentina, apurou a Coluna.
O negócio é avaliado entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão e envolve uma rede de cerca de mil postos de combustível Shell e a refinaria Dock Sud, com capacidade de processamento de 100.000 barris diários, ficando atrás apenas de duas outras refinarias da estatal YPF. As propostas vinculantes foram apresentadas em novembro do ano passado, conforme antecipou a Coluna.
As diligências já foram realizadas e a formalização do contrato é o que resta a ser feito ainda, disseram fontes ao Coluna. A aquisição pode ter impacto na configuração concorrencial do setor de petróleo argentino, ampliando o alcance dos negócios que a Mercuria e o dos dois empresários argentinos já têm no segmento. Eles são sócios na Phoenix Global Resources, uma companhia argentino produtora de petróleo que com a aquisição poderá verticalizar suas operações, incluindo além da produção, o refino, transporte e comercialização.
Empresários têm diversos negócios
Manzano e Vila são dois empresários conhecidos na Argentina e também têm negócios em parceria com a Mercuria na Mineradora Aguilar, na exploração de prata e com investimentos previstos em lítio e urânio. Manzano e Vila são ainda donos do segundo maior grupo de mídia da Argentina, o Grupo America, e acionistas das distribuidoras de energia Edenor e Edemsa.
Antes de se tornar um empresário, Manzano ficou conhecido pela atuação na política argentina. Foi ministro do Interior durante o governo de Carlos Menem, nos anos 1990, além de deputado nacional. Já Vila passou de empregado de Manzano a sócio do empresário, atuando nos negócios de comunicação e também em petróleo, turismo e energia elétrica.
A venda das operações da Raízen na Argentina faz parte da reorganização financeira da companhia, o maior problema neste momento do Grupo Cosan, que opera a Raízen em parceria com a Shell. Um plano de recuperação extrajudicial está sendo negociado entre a Raízen, bancos e detentores de títulos de dívida externa e local, e os recursos levantados devem ser destinados, em parte, para o pagamento de credores, acrescentam as fontes. A intenção da Raízen é fechar um acordo e levar o plano para homologação judicial em junho.
Antes de abrir o processo competitivo, a Raízen chegou a ter conversas bilaterais com a estatal de energia da Arábia Saudita, Saudi Aramco, mas as negociações não prosperaram. A Raízen adquiriu os negócios na Argentina da Shell em 2018. Na época, a refinaria, segunda maior da Argentina, foi avaliada em US$ 1 bilhão.
Esta notícia foi publicada na Transmitir+ no dia 30/04/2026, às 15:48
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