Em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de opinião, como a Atlas/Bloomberg desta terça-feira, 28, o senador Flávio Bolsonaro tem no seu bolso os votos da direita – seja no primeiro ou em um eventual segundo turno. Em tese, precisa apenas conquistar os decisivos eleitores de centro, ainda indecisos ou flutuantes. Por isso, suas posturas moderadas, em muitos casos claramente vazias (desautorizou discussões públicas até mesmo sobre o necessário ajuste fiscal). É o Bolsonaro vacinado, conforme uma peça que circulou nas redes. Um limite à estratégia, entretanto, é o comportamento belicoso dos irmãos e seus asseclas.
O divertimento dos bolsonaristas radicais tem sido fiscalizar como os supostos aliados se comportam nas redes. Se a todo momento esses apoiadores dão mostras de apoio incondicional a Flávio. Aqueles que não agem dessa maneira, em um critério que envolve a quantidade de manifestações de apoio ao filho 01 nas redes, começam a levar chumbo grosso. Um dos alvejados nessa história é uma das estrelas do movimento, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o político brasileiro com maior força no mundo digital.

Flávio Boslonaro (ao centro), busca apresentar postura moderada, enquanto Eduardo e Flávio cobram aliados da direita Foto: Eduardo Barreto/CMRJ
Nikolas reagiu, comparando o filho mais novo de Bolsonaro a uma toupeira cega (preste atenção no vocabulário dessa turma). Mas tem sobrado para todo mundo. Só poupam a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, porque, no caso, o tiro sairia pela culatra – ela tem forte presença nos segmentos evangélicos e das mulheres e soaria como uma grosseria até mesmo para o mundo bolsonarista. De nada tem adiantado Flávio Bolsonaro vir a público pedir calma à sua tropa.
Mas sobra para todo lado. Na semana passada, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, surfou na crítica ao Supremo Tribunal Federal. Mas não foram apenas os ministros, como Gilmar Mendes, que ficaram irritados. O filho 02 de Bolsonaro, Carlos, escreveu um daqueles textos crípticos e embaralhados tendo como alvo o político mineiro. Zema apanhou das falanges ligadas a Carlos e Eduardo Bolsonaro, o filho 03.
O bolsonarismo tem algo muito forte de submissão. Seus integrantes, principalmente os irmãos mais novos, não parecem ter qualquer tipo de gratidão aos eleitores e seguidores. Ao contrário, acham que são libertadores do país e, por isso, devem receber agradecimentos todos os dias. Por isso se atribuem ao direito de passar pitos e agredir a todos, inclusive potenciais aliados. Aquele eleitor de centro da minoria decisiva que vê o bangue-bangue interno começa a imaginar que trazer o bolsonarismo de volta para o palco talvez não seja uma boa ideia.