Inteligência artificial vai nos deixar mais burros? Marcelo Gleiser responde
Defensor de uma ciência mais humanista, o físico é curador do São Paulo Innovation Week, evento que o ‘Estadão’ vai promover em maio. Crédito: Edição de vídeo: Anderson Russo / Produção: Vitória Schmitz / Imagens: Derek Keller, Lucas Ghitelar, Felipe Oliveira
Entre todas as trilhas do São Paulo Innovation Weeka de Ciências traduz, com precisão única, o espírito do festival de inovação, tecnologia e empreendedorismo promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos. É uma programação marcada pela inquietação, curiosidade e pela recusa em aceitar respostas fáceis.
Em um momento em que tecnologia e inovação avançam em ritmo vertiginoso, a ciência oferece a evidência, o fato concreto, o “pé no chão”, mas abre espaço para novos porquês. A trilha, com curadoria do cientista Marcelo Gleizeré um convite a olhar para o universo, para o cérebro, para a tecnologia e para nós mesmos, com mais perguntas do que certezas.
Entre 13 e 15 de maio, pensadores se encontram em São Paulo para discutir o que sabemos e aquilo que ainda não conseguimos explicar.
O melhor festival global de tecnologia e inovação aterrissa em uma das cidades mais potentes do mundo.

O cientista Marcelo Gleiser é um dos curadores do São Paulo Innovation Week Foto: Eli Burakian/Dartmouth College
O SPIW vai ocupar espaços simbólicos da cidade: a Arena Pacaembu e a Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). Assinantes do Estadão podem comprar ingressos com 35% de desconto: clique aqui para adquirir o passaporte para os três dias de evento. Não assinantes podem acessar este link.
No dia 12, a jornada começa com um encontro raro: “Dois Apaixonados pelo Cosmos — Ao Vivo”. Sem roteiro, Gleiser e o cientista Adam Frank propõem uma conversa genuína sobre o universo, seus mistérios e o futuro da ciência.

O astrofísico americano Adam Frank, destaque do São Paulo Innovation Week Foto: Universidade de Rochester/Divulgação
Frank, referência na busca por vida extraterrestre e voz ativa no debate climático, encontra em Gleiser um interlocutor à altura para discutir por que ainda vale a pena se espantar com o cosmos. Leia aqui entrevista do astrofísico americano ao Estadão.
Três visões sobre o que é o real
No dia 13, a programação mergulha em questões ainda mais profundas. Em “O que é Real? Três Respostas que Mudam Tudo”, Gleiser divide o palco com o líder indígena e membro da Academia Brasileira de Letras Ailton Krenak sim Monja Cohen para um diálogo sobre física, espiritualidade e cosmovisões ancestrais.

O escritor e líder indígena Ailton Krenak será um dos palestrantes do São Paulo Innovation Week
Foto: Neto Gonçalves/Companhia Das Letras
A mesma data traz uma das histórias mais inspiradoras da trilha. O engenheiro Ivair Gontijo relata sua trajetória improvável, do interior de Minas Gerais à construção e monitoramento de sondas para exploração em Marte como cientista da Nasa. É uma reflexão sobre limites, ambição e pertencimento ao universo. Leia aqui entrevista com Gontijo.
A ciência das emoções ganha protagonismo com Daniel Golemanconsiderado o pai da inteligência emocional. O psicólogo e escritor revisita ideias que se tornaram ainda mais urgentes na era da inteligência artificial: pensar não basta; é preciso saber sentir.

Monja Cohen participará de um painel com o líder indígena Ailton Krenak e o cientista Marcelo Gleiser no São Paulo Innovation Week Foto: Iara Morselli/Estadão
Em um painel bastante aguardado, o Nobel de Física Didier Queloz se junta a Adam Frank e Marcelo Gleiser para discutir a fronteira mais fascinante da ciência contemporânea: a busca por vida fora da Terra. Com milhares de exoplanetas já identificados, a pergunta deixa de ser ficção e passa a ser uma possibilidade concreta.
No dia 14, o foco se volta para o interior do ser humano. A neurocientista Suzana Herculano-Houzel apresenta descobertas que redefiniram nossa compreensão sobre o cérebro e, por consequência, sobre nós mesmos.
Professora da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, a brasileira é uma das principais referências mundiais em neurociência. Seu trabalho revolucionou a área ao estabelecer, com precisão inédita, o número de neurônios do cérebro humano. São 86 bilhões e não 100 bilhões como se acreditava. É uma descoberta que ajudou a redefinir o entendimento sobre nossa capacidade cognitiva.

A neurocientista e escritora Suzana Herculano-Houzel será um dos destaques do São Paulo Innovation Week Foto: Carlos Irineu
Já em “Pergunte à Ciência, Sem Filtro”, Gleiser se junta aos divulgadores Pedro Loos e Sérgio Sacani em um formato aberto, onde perguntas valem mais do que respostas prontas.
Pedro Loos é o criador do canal do YouTube Ciência Todo Dia, no qual produz conteúdo sobre temas como física, astronomia e tecnologia. Ela também participa do podcast Sinapse, voltado à divulgação científica, e produz conteúdo para outras redes sociais, como Instagram e TikTok.
Sérgio Sacani é geofísico, youtuber e fundador do Space Today, maior canal de astronomia do Brasil.
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Em um mundo cada vez mais automatizado, o que ainda nos torna essencialmente humanos? Gleiser propõe uma reflexão que vai além da tecnologia e toca na própria construção de sentido.
“A inteligência artificial não pensa. Não sente. Não narra. Ela calcula, com uma velocidade e escala que nos espantam. Mas o espanto não deve ser confundido com abdicação. Somos animais que constroem sentido através de histórias. Se delegarmos essa capacidade às máquinas, não perderemos apenas eficiência, perderemos o fio que nos conecta a nós mesmos”, diz Gleiser.

A americana Rebecca Goldstein é filósofa, escritora e palestrante do São Paulo Innovation Week Foto: Rebecca Goldstein/Divulgação
Outra convidada, a bióloga Tatiana Sampaioda Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fala sobre sua pesquisa de décadas com a polilaminina.
A trilha se encerra com dois dos grandes nomes do pensamento contemporâneo. O psicólogo e linguista canadense Steven Pinker defende o papel da racionalidade em tempos de desinformação, enquanto a filósofa Rebecca Goldstein investiga uma das forças mais silenciosas e poderosas da experiência humana: a necessidade de ser visto, reconhecido e significativo. Leia aqui entrevista com a americana.