Choque de energia deve impulsionar o desenvolvimento de equipamentos movidos a biocombustíveis

Choque de energia deve impulsionar o desenvolvimento de equipamentos movidos a biocombustíveis

Estamos muito próximos de completar três meses de conflito no Oriente Médio e ainda sem perspectiva de um cessar-fogo, mesmo após a visita de Trunfo tem China. Os estoques disponíveis de petróleo nos países consumidores estão se reduzindo, o que eleva chances de novas altas de preços de combustíveis e da imposição de restrições ao consumo. Como resultado, várias tendências devem se consolidar. Chamo a atenção para algumas delas.

Devem avançar a pesquisa e a produção de petróleo fora do Golfo Pérsico, especialmente nas Américas e na África, enfraquecendo ainda mais a OPEP.

Na Agrishow, os grandes produtores de tratores anunciaram equipamentos movidos a etanol, fugindo do diesel Foto: Fabio Melo/Estadão

Vai se intensificar a utilização de equipamentos já disponíveis mais eficientes do ponto de vista energético, como é o caso de aviões da Embraerque economizam pelo menos 25% de combustível em relação aos modelos mais antigos.

Fora dos EUAa eletrificação da frota de veículos vai avançar, especialmente empurrada pelas empresas chinesas. No Brasil, por exemplo, é estonteante a velocidade da captura de mercado a partir de importações e da sua produção doméstica, com boa aceitação do consumidor.

Com o uso de baterias, o uso otimizado de energia solar e eólica avançará, superando a estacionalidade da produção e permitindo ajustes na gestão do despacho dos sistemas de energia elétrica.

Como vem apontando Jacyr da Costa Filho, o desenvolvimento de equipamentos movidos a biocombustíveis crescerá de forma importante. Aqui no Brasil, já temos algumas linhas interessantes de avanço. Na última edição do Agrishowos grandes produtores de tratores anunciaram para 2027 equipamentos totalmente movidos a etanolfugindo do diesel.

A partir da exitosa experiência do carro flex, que se deveu ao desenvolvimento da Bosch e da Magneti Marelli nos motores movidos à gasolina, estamos no limiar da utilização em larga escala de etanol nos motores a diesel.

A Bosch está na reta final de testes do sistema dual flex, no qual os atuais propulsores passam a contar com a injeção de etanol, sem alteração dos mesmos. Nos testes realizados até agora, a utilização do biocombustível está variando entre 35% e 60%.

Na mesma direção, a Wärtsilä está testando a utilização de até 100% de etanol em equipamentos estacionários e a Maersk já testou com sucesso diversas combinações de etanol e “bunker”, inclusive também uma versão 100% biocombustível.

Em resumo, o etanol vai adentrar com força no mundo do diesel, ampliando simultaneamente a descarbonização e a nossa independência energética.

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