Flávio Bolsonaro pode dificultar negociação entre Brasil e EUA sobre tarifas, diz professor da FGV

Flávio Bolsonaro pode dificultar negociação entre Brasil e EUA sobre tarifas, diz professor da FGV

As participações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do influenciador Paulo Figueiredo nas audiências públicas promovidas pelos Estados Unidos para discutir a possível imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros pode criar obstáculos às negociações entre Brasília e Washington. A avaliação é do cientista político Marco Antonio Teixeira, professor da FGV, em entrevista ao programa Ponto de Vistade VEJA.

Segundo Teixeira, a discussão sobre as tarifas deixou de ser apenas uma questão comercial e passou a sofrer influência da disputa política brasileira. Para ele, embora Flávio Bolsonaro e Paulo Figueiredo afirmem que participarão das audiências para defender a não adoção das tarifas, a atuação dos dois pode ser interpretada como uma tentativa de interferência na agenda eleitoral do Brasil.

“Há uma parte do governo americano muito sensível à ideia de tentar interferir na agenda eleitoral brasileira. Obviamente, isso só joga um pouco mais de gasolina nesse incêndio e contribui para criar obstáculo para a própria negociação”, afirmou o professor.

Na avaliação do cientista político, a condução das tratativas deve permanecer sob responsabilidade do governo brasileiro, por meio do Itamaraty e dos canais diplomáticos. O professor defende que negociações comerciais entre os dois países precisam ser tratadas como uma relação entre Estados, sem que disputas eleitorais interfiram no processo.

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Teixeira também lembrou que aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro já atuaram anteriormente em defesa de medidas de pressão contra autoridades brasileiras. Segundo ele, durante o período em que Bolsonaro era julgado pelo Supremo Tribunal Federal, integrantes do grupo defenderam não apenas a adoção de tarifas, mas também restrições de visto contra ministros da Corte e outras autoridades.

Para o professor, esse histórico reforça o risco de que a participação de Flávio Bolsonaro e Paulo Figueiredo seja interpretada como parte de uma estratégia política, e não como uma contribuição às negociações comerciais. Na avaliação dele, esse cenário tende a dificultar o diálogo entre os governos brasileiro e americano.

Teixeira afirmou ainda que a alternância de governos faz parte do processo democrático, mas ressaltou que a relação bilateral deve ser preservada independentemente das disputas políticas internas. “O jogo da negociação de tarifas é um jogo da negociação entre Estados e não da agenda eleitoral”, disse durante a entrevista ao Ponto de Vista.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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