Eleições 2026: saiba quais cargos estarão em disputa neste ano
Presidente, governadores, senadores e deputados serão escolhidos pelos eleitores; entenda o papel de cada cargo. Crédito: Estadão
Enquanto se afunda em uma estratégia equivocada de tentar atrair o governo dos Estados Unidos para a campanha eleitoral deste ano no Brasilao mesmo tempo em que vê seus números de intenção de voto minguarem nas pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem ao menos um alento a poucas semanas do lançamento oficial da sua candidatura à Presidência: a consolidação do favoritismo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) para a reeleição em São Paulo. Mais do que nunca, o desempenho do governador do maior colégio eleitoral do País é essencial para ampliar as chances de Flávio em sua disputa com o presidente Lula.
A eleição do petista em 2022 contra o então presidente Jair Bolsonaropai de Flávio, foi em grande medida decidida em São Paulo: ainda que Lula tenha sido derrotado no Estado, isso ocorreu com uma margem bem menor do que a obtida por Jair em sua campanha presidencial vitoriosa de 2018, quando enfrentou Fernando Haddad (PT). Em 2022, coube ao próprio Haddad, na qualidade de candidato ao governo paulista, oferecer palanque a Lula para reduzir a vantagem bolsonarista no estado — e a estratégia vai ser repetida este ano.

Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em evento em homenagem a Valdemar Costa Neto, em fevereiro. Foto: Felipe Rau/Estadão
As pesquisas eleitorais, contudo, têm demonstrado que a balança este ano pende muito mais em favor do bolsonarismo do que em 2022. Desde maio, começaram a sair levantamentos indicando que Tarcísio pode conseguir até mesmo vencer a eleição já no primeiro turno. Na pesquisa mais recente, do Datafolha, divulgada neste fim de semana, a distância entre Tarcísio e Haddad é de 16 pontos percentuais. O governador obtém 52% das intenções de votos válidos, no limite da margem de erro para evitar um segundo turno.
Se isso acontecer, Flávio terá um grande trunfo nas mãos — desde que Tarcísio se disponha a ajudá-lo. Na hipótese de uma derrota antecipada de Haddad, Lula perde seu palanque no estado para o segundo turno presidencial. Por outro lado, Tarcísio precisa de uma motivação para continuar atuando como cabo eleitoral de Flávio. Obrigação de fazer isso ele não tem. Reeleito, o governador pode simplesmente tirar um período para descansar.
Nas últimas semanas, Tarcísio teve bons motivos para se distanciar de Flávio. Os rolos do senador com o banqueiro Daniel Vorcarodo Banco Master, e as trapalhadas envolvendo a ameaça de novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros são os tipos de problemas com os quais o governador não quer se associar. No auge da crise envolvendo Vorcaro, Tarcísio não saiu em defesa de Flávio. Apenas afirmou que era uma questão que cabia ao senador explicar.
Depois de quase um mês, os dois voltaram a participar de agendas públicas juntos.
Afinal, Tarcísio corteja eleitores de centro, mas não pode abrir mão dos votos do núcleo duro do bolsonarismo. Mais recentemente, ele tentou minimizar a briga pública entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e Flávio, afirmando que o episódio seria superado e não causaria impacto no seu grupo político.
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O cálculo que Tarcísio precisará fazer caso ganhe a eleição no primeiro turno é se o custo de conduzir pela mão um Flávio Bolsonaro possivelmente desgastado compensa o suposto benefício de vê-lo eleito presidente. “Suposto” porque, apesar de parecer lógico que ter um aliado na Presidência seria uma vantagem para o governador, esse talvez não seja o melhor dos cenários para que Tarcísio consiga se colocar como candidato inconteste da direita para o Palácio do Planalto em 2030.
Se Flávio vencer, ele próprio será o candidato natural do bolsonarismo na próxima eleição — isso sem falar no que pode acontecer com o futuro político de Jair Bolsonaro (como mostra o exemplo de Lula, reviravoltas jurídicas ocorrem com facilidade neste País). Não haveria abertura para uma candidatura de Tarcísio.
Não há, portanto, grandes incentivos para o governador de São Paulo entrar de cabeça na campanha de Flávio, ainda mais se ganhar já no primeiro turno. Mas a necessidade de demonstrar lealdade ao bolsonarismo deve fazer com que, pelo menos na aparência, Tarcísio se mantenha engajado. Flávio Bolsonaro vai ter de cuidar bem desse aliado.