A saída do senador Jacques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado dá início à busca do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por um novo nome para o posto. Parlamentares já especulam opções nos bastidores.
A avaliação dentro do PT é de que as opções na bancada estão limitadas. Entre os nove senadores do partido, cinco devem disputar a reeleição e não poderiam se dedicar à articulação política, enquanto Paulo Paim (RS) deve deixar a Casa após o término do mandato.
Com isso, as opções disponíveis na bancada seriam Teresa Leitão (PT-PE), Beto Faro (PT-BA) e Camilo. Dentre os nomes, o ex-ministro da Educação é considerado aquele com “perfil” para a liderança e quadro de interlocução direta com Lula.
Camilo Santana teria, contudo, que dividir as funções na liderança com atribuições na campanha de Lula. O senador vai coordenar as articulações do presidente no Nordeste, território crucial para a tentativa de reeleição ao Palácio do Planalto.
A opção imediata seria Teresa Leitão, que é líder do PT na Casa e avaliada como parlamentar que mantém boa relação com a oposição.
A ideia é que Lula tome uma decisão até a próxima semana. O cargo de líder do governo no Senado é estratégico para o Executivo mesmo no fim do mandato.
Isso porque as principais pautas de interesse do governo e que estão na reta final estão na Casa Alta – especialmente a PEC (proposta de emenda à Constituição) sobre o fim da escala 6×1. Aprovada pela Câmara dos Deputados em maio deste ano, a pauta aguarda aval do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para voltar a tramitar no Legislativo.
Jaques deixa liderança
O senador Jaques Wagner confirmou nesta quarta-feira (24) que irá deixar a liderança do governo no Senado. A decisão foi antecipada pela CNN e foi tomada após o parlamentar se reunir com o presidente Lula, na esteira das repercussões da operação da PF (Polícia Federal) relacionada ao caso do Banco Master que mirou o congressista, na semana passada.
Em nota publicada nas redes sociais, o senador afirmou que a decisão foi tomada em “comum acordo” e que a reunião com Lula foi uma “conversa entre amigos”.
“Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado”, disse o congressista em nota.