O ex-ministro do Empreendedorismo Márcio França (PSB) voltou a articular sua candidatura ao governo de São Paulo após o deputado federal Kim Kataguiri (Missão) e o ex-prefeito Paulo Serra (PSDB) desistirem da disputa, o que aumentou as chances de uma definição ainda no primeiro turno.
A ideia foi defendida nos últimos dias inclusive por interlocutores do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB)mas é rejeitada pelo entorno do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), pré-candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes. Lideranças petistas avaliam que o mais provável, no momento, é que França seja vice de Haddad.
O principal argumento de França é que, sem uma terceira via em São Paulo, a eleição fica esvaziada e crescem as chances de Tarcísio de Freitas (Republicanos) liquidar a disputa ainda no primeiro turno. Na avaliação de aliados do ex-ministro, esse cenário tem impacto no projeto nacional da esquerda, uma vez que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficaria sem um aliado disputando o segundo turno no maior colégio eleitoral do País. Além disso, Tarcísio estaria livre para se dedicar à campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
França, que na eleição de 2018 perdeu a disputa pelo Executivo paulista para João Doria por 51% a 48%, também tem dito a interlocutores que sua candidatura tem a capacidade de tirar votos de Tarcísio. Ele afirma que seu perfil mais combativo ajudaria Haddad a explorar as fragilidades da gestão paulista nos debates, aumentando a rejeição do governador. A movimentação do ex-ministro foi publicada inicialmente pelo jornal Folha de São Paulo e confirmada pelo Estadão.

Ex-ministro Márcio França articula nova candidatura ao governo de São Paulo Foto: Alex Silva/Estadão
Aliados de Haddad, no entanto, contestam esses argumentos e dizem que França tende a atrair eleitores do próprio petista, e não do governador, e poderia contribuir mais para o enfrentamento a Tarcísio ocupando a vaga de vice na chapa do ex-ministro da Fazenda.
A reportagem procurou França, Haddad e Alckmin por meio da assessoria de imprensa. Eles não haviam se posicionaram até a publicação deste texto.
França defendeu sua candidatura ao Executivo e escreveu nas redes sociais na segunda-feira, 22, que está “pronto para o desafio de debater e defender São Paulo”. Ele publicou o trecho de uma entrevista que concedeu à rádio TMC no início da semana passada.
“Eu tenho muito menos rejeição e 25%, 30% dos votos do Tarcísio vem pra mim no automático. Policiais militares em São Paulo votam em mim, servidor público dificilmente não vota em mim. (…) Mas é claro que quem é do PT faz a defesa óbvia: você não leva o 13. Cada um vai olhar pelo seu prisma”, disse ele.
A articulação marca uma nova tentativa de França, que antes disputava com Marina Silva (Rede) a indicação para a segunda vaga ao Senado na chapa de Haddad. A primeira é de Simone Tebet (PSB).
Como mostrou o EstadãoLula manifestou reservadamente no mês passado que gostaria de ver o ex-ministro do Empreendedorismo como vice de Haddad. Na entrevista à TMC, França disse que o presidente não lhe pediu especificamente para ser vice, mas que se o fizer, ele “provavelmente” dirá “sim’.
Independentemente de qual for a decisão, o consenso é que a palavra final será de Lula. Embora seja o cabeça de chapa, Haddad tem evitado se envolver diretamente na questão por se tratar de três ex-companheiros de ministério e pelo entendimento que o objetivo principal da chapa em São Paulo é ajudar na reeleição do presidente.
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No final de semana, Paulo Serra e Kim Kataguiri anunciaram que em vez de disputar o Executivo paulista serão candidatos a deputado federal. O PSDB deve anunciar nas próximas semanas seu apoio à reeleição de Tarcísio. Já a Missão, segundo Kataguiri, terá outro nome como candidato próprio ou não apoiará ninguém.