‘Minions & Monstros’ diverte, faz pensar e até emociona

‘Minions & Monstros’ diverte, faz pensar e até emociona

Pode ser ousado dizer isso, mas Lacaios e Monstros é uma das principais surpresas dos cinemas em 2026 ao lado de Obsessão. O filme, terceiro sobre as criaturas amarelas e sétimo da franquia Meu Malvado Favoritoé o mais criativo e ousado de todos: não existem aqui vilões perfeitos, tramas infantis e excesso de bananas. A ideia do diretor Pierre Caixãoque também faz a voz dos lacaiosé tentar encaixar as criaturas dentro da história do cinema.

Afinal, muitos podem torcer o nariz quando alguém considera Kevin e Stuart, para citar os dois minions mais conhecidos, como importantes dentro da lógica da sétima arte.

Mas não tem como ignorar o impacto cultural dessas criaturas, que viraram mania ao redor do mundo, tampouco fechar os olhos para o sucesso absurdo da franquia nos cinemas, com mais de US$ 5,5 bilhões em bilheteria – e contando. É sucesso, é cinema, é cultura pop. E o que Coffin faz aqui é cutucar o público a entender que os minions são, sim, sétima arte.

Balthazar Bratt, ex-ator mirim e astro de TV, foi um típico malvado bem-sucedido nos anos 80. De volta à ativa, ele vai aterrorizar a vida de Gru, Agnes, Margo, Edith, Dr. Nefario e os atrapalhados Minions. Crédito: Trailer

Minions e o cinema-arte

Essa provocação já começa no início do longa-metragem, quando um grupo de pessoas está passeando em um museu sobre cinema. Estão ali Jorge Lucas preso em uma cúpula de vidro, uma arte sobre E.T.: O Extraterrestreuma instalação sobre Metrópole e afins. O grupo, porém, se depara com uma estátua de dois minions, o que causa estranhamento. É aí que a guia do grupo começa a narrar a história dessas criaturas amarelas, desde o início, quando procuravam um novo chefe, até o momento em que entram no mundo do cinema.

‘Minions e Monstros’ fazem referências a clássicos do cinema. Foto: Universal Pictures/Divulgação

Além de toda a provocação por trás disso, com Coffin batendo na tecla de que os minions merecem o reconhecimento, o longa-metragem se torna uma grande homenagem ao cinema. Os minions recriam cenas de clássicos, inclusive com uma paródia impagável de Cidadão Kanee colocam elementos da história da sétima arte ao longo de todo o filme, agradando até aqueles que não são tão ligados nos clássicos. Uma cena envolvendo uma obra de Charles Chaplinpor exemplo, é excelente.

Ainda assim, minions

Mas, para além de todo esse discurso sobre cinema e o reconhecimento dos minions, o filme não deixa de olhar para as crianças, claro. Há piadas típicas dos minions, encontradas nos outros longas da franquia, e que vão agradar. Algumas pessoas podem reclamar de um tom escatológico aqui (como um minion se limpando com uma múmia) e um tom exagerado ali (como a cabeça de uma rainha decapitada), mas o essencial dos minions surge sem exagero, sem tons acima. É, de longe, o filme mais equilibrado, divertido e criativo da saga.

Minions já fazem parte da cultura pop Foto: Illumination-Universal Pictures / Divulgação

Lacaios e Monstrosno fim, deixa um pouco o ar de cinema clássico para falar da relação dos seres amarelos com monstros que são invocados – tudo com a ideia de fazer um filme, vale dizer. Fica mais infantil e até um pouco repetitivo, mas Coffin não se prolonga e termina o filme na hora que precisa terminar, com apenas 90 minutos de filmagem. É, assim, um filme redondo, sem arestas ou sobras, e que sabe o que quer. Diverte, faz pensar e até emociona, mostrando que minions podem sim render boas histórias.

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