Voepass: Ministério do Trabalho diz que cansaço da tripulação pode ter causado queda de avião

Voepass: Ministério do Trabalho diz que cansaço da tripulação pode ter causado queda de avião

Piloto acusa Voepass de pressão por excesso de trabalho: ‘Não queremos entrar nessa estatística’

Em junho, piloto denunciou falta de respeito por folgas; Voepass diz cumprir os requisitos legais.

BRASÍLIA – Uma auditoria feita pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontou que o cansaço da tripulação pode ter sido um dos fatores que contribuíram para a queda do avião da VoePassque matou 62 pessoas em agosto do ano passado. O MTE divulgou nesta terça-feira, 16, que a análise feita pela pasta incluiu as escalas de trabalho do piloto e do copiloto do avião entre os dias 1º de maio e 9 de agosto, quando a aeronave caiu.

Em nota, a Voepass afirmou que possui o Programa de Gerenciamento de Risco de Fadiga (GRF), documento técnico aprovado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e segue regulamentação específica do setor. “Ademais, somente o Relatório Final do Cenipa (Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) poderá apontar, de forma conclusiva, as causas do acidente”, diz a empresa.

De acordo com o Ministério do Trabalho, piloto e copiloto não tinham o período de descanso adequado. “A conclusão foi que a empresa montou escalas que reduziram o tempo de descanso da tripulação, o que pode ter causado cansaço em um nível capaz de prejudicar a concentração e o tempo de reação dos profissionais. Esse fator, somado a outras possíveis causas, pode ter contribuído para o acidente com o voo 2283″, diz o relatório da pasta.

O MTE verificou os horários de entrada e saída em hotéis para confirmar o período de descanso da tripulação. Nessa varredura, a pasta identificou a falta de controle efetivo da jornada de trabalho e descumprimento dos limites de jornada e períodos mínimos de descanso.

Segundo o ministério, houve descumprimento da Lei dos Aeronautas e da convenção coletiva da categoria. Devido às irregularidades, a empresa foi alvo de 10 multas, que somam cerca de R$ 730 mil. Além de ter sido notificada por não recolher mais de R$ 1 milhão em FGTS de seus funcionários.

Em abril, a Voepass entrou com um pedido de recuperação judicial declarando dívidas de R$ 429 milhões. A empresa foi criada em 1995 quando ainda levava o nome de “Passaredo”.

Falhas de sistema

Um relatório do Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) indicou que, durante o voo, a aeronave modelo ATR-72 enfrentou condições meteorológicas propícias à formação de gelo, mas o sistema de degelo foi ligado e desligado repetidas vezes, indicando possível falha.

Foram registrados também alertas Cruise Speed Low (baixa velocidade de cruzeiro) e, posteriormente, Degraded Performance (performance degradada) – quando o avião encontra condições que reduzem sua capacidade de voo, como o acúmulo de gelo, que diminui a sustentação.

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