Canetas antiobesidade podem aumentar risco de disfunção erétil, sugere estudo

Canetas antiobesidade podem aumentar risco de disfunção erétil, sugere estudo

O uso das canetas para tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 pode estar associado ao aumento do risco de disfunção erétil. É o que indica um estudo publicado na revista The Lancet, uma das principais publicações científicas do mundo.

A pesquisa analisou prontuários de mais de 10 mil adultos com diabetes tipo 2, acompanhados entre 2019 e 2024. Os pesquisadores compararam dois grupos: pacientes que iniciaram tratamento com agonistas do GLP-1 — como semaglutida, tirzepatida, liraglutida e dulaglutida — e aqueles que usaram outra classe de antidiabéticos, os inibidores de DPP-4como a sitagliptina.

O que os pesquisadores encontraram

Os resultados apontam que aqueles que usaram as chamadas “canetas” tiveram um risco 26% maior de desenvolver disfunção erétil em comparação com os que utilizaram inibidores de DPP-4.

Na prática, isso significa que foram registrados: 35,2 casos de disfunção erétil a cada mil usuários de GLP-1 e 28 casos por mil entre os usuários de DPP-4.

Segundo os próprios autores, trata-se de um aumento considerado modesto.

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Pontos de cautela

Apesar do achado, os pesquisadores alertam que os resultados ainda não permitem afirmar uma relação de causa e efeito. Isso porque o estudo é baseado em dados de prontuários — o chamado “mundo real” — e pode sofrer influência de fatores difíceis de controlar, como diferenças entre os pacientes ou vieses na seleção. Por isso, os resultados devem ser vistos como geradores de hipótesese não como conclusivos.

Além disso, a disfunção erétil afeta quase 50% das pessoas com diabetes tipo 2 em algum momento da vida, assim como a obesidade. Ou seja, não é simples determinar se os resultados estão ligados ao uso do medicamento ou à própria condição de saúde.

Outro ponto é que os estudos existentes até agora não tiveram resultados semelhantes.

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Por um lado, alguns estudos clínicos sugerem até um possível efeito protetor. É o caso do estudo REWIND, que indicou uma leve redução no risco de disfunção erétil entre usuários de dulaglutida ao longo de mais de cinco anos.

Por outro, análises com dados do mundo real — como estudos com a base TriNetX — já apontaram aumento no risco de disfunção erétil e maior uso de medicamentos como o sildenafil entre homens que utilizam semaglutida.

Diante disso, a principal conclusão, por enquanto, é que essa relação precisa ser melhor investigada. “Futuros ensaios clínicos randomizados, com avaliação padronizada da função erétil e acompanhamento ao longo do tempo, são necessários para confirmar esses achados e entender os mecanismos envolvidos”, afirmam os autores.

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