Mauro Beting reage a convocação de Ancelotti: ‘Também não levaria Neymar’
Técnico divulgou lista para amistosos contra França e Croácia. Crédito: Mauro Beting/Estadão
Só tem como cobrar um treinador de seleção brasileira em dia de lista se você também apresentar a sua. Para evitar convocar mais gente do que o exercito em período de guerra.
Faço isso desde 1993, no ofício que comecei em 1990. Eu já perguntei para todos os treinadores brasileiros desde os anos 70 (à exceção do falecido Cláudio Coutinho), se pelo menos alguma vez eles chamaram alguém que eles não tinham convicção, mas só podiam chamar porque não tinham alternativas melhores… Um deles, claro, me respondeu em off, e reservando os nomes ele mesmo, disse que teve uma convocação que ele ficou quase que envergonhado ao dizer os relacionados.

Ancelotti anunciou 26 nomes da última lista antes da Copa. Foto: Pedro Kirilos/Estadão
Segundo ele, uns dez ele não teria chamado em condições normais, o que não era o caso. E evidentemente, não vem ao caso dizer quem era o treinador, como ele também não disse quais os nomes que ele teve um sentimento parecido com “vergonha” de chamar à seleção…
Faz parte do jogo.
Eu mesmo já fui contratado por uma emissora de televisão e meu chefe, até hoje meu amigo (pela capacidade, lealdade e sinceridade), disse que eu era a oitava opção de comentarista. Como as outras sete não deram jogo, lá fui eu trabalhar com ele honradamente.
Então, da lista de Ancelotti, eu trocaria seis nomes. Dentro da média. Até porque é capaz de eu trocar uns 10 nomes desta minha própria lista.
Para não ficar em cima do Muro Beting, cito os meus 26 convocados para os duros jogos contra França e Croácia. Duríssimos, porém necessários. A seleção brasileira sempre pega no tranco. É melhor, enfim, enfrentar seleções europeias do que aconteceu que houve naquele ciclo quando só a República Tcheca foi adversária europeia de um Brasil que, de 2006 pra cá, sempre foi eliminado por seleções europeias.
E ainda perdeu outros jogos para escretes como Camarões, na Copa passada.
Os meus 26 para hoje, sem o lesionado Militão, sem o lesionado Estêvão, infelizmente sem Rodygo para a Copa, e infelizmente, ainda sem a melhor forma de Neymar.
Goleiros: quase os mesmos de Ancelotti, nessa ordem, Alisson, Ederson e Hugo Souza. Bento é ótimo. Mas ainda prefiro o corintiano. Não só pelos pênaltis.
Para as laterais, acredite, nenhuma dúvida e poucas convicções. Para a direita e também pra esquerda, os hojes mais alas do que laterais, Wesley e Vanderson. Ibañez pode ser lateral e também zagueiro. Pode dar liga. Do outro lado, por ora consolidados, Alex Sandro e Douglas Santoso melhor achado ou reencontro de Ancelotti. Em condições, Militão seria o meu titular na lateral-direita.
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Na zaga, absolutos, Marquinhos e Gabriel Magalhães. Como opção de banco, sem Militão e sem muita confiança na outra zaga, eu vou de Bremerque pode jogar numa linha de três e em qualquer lado da linha de quatro. Chamaria de volta Murillodo Nottingham Forest, numa posição em que ainda têm chance Alexsandro Ribeiro (que é reserva no Lille), Beraldo (que só jogou três partidas em 2026 pelo PSG), e ainda pode ser Danilo, pela versatilidade e liderança e experiência em Copa do Mundo. Pela fase atual, não levaria Léo Pereira.
Na cabeça da área, titulares absolutos seriam Casemiro e Bruno Guimarãesque está lesionado. Sigo com Casemiro, com Fabinho na reserva (ele pode ser lateral, o zagueiro que tem sido no Al-Ittihad, e volante também, de Copa do Mundo). Andrey Santos só não consegue ser titular no Chelsea porque tem Caicedo e Enzo Fernández. Mas, quando entra, vai muito bem para quem só tem 20 anos e já ótima experiência internacional. Sem Bruno Guimarães, vou com o companheiro de Newcastle, Joelintonque aos poucos vai voltando à equipe, mas também podia ser Andreas Pereira. Danilo também tem jogado bem no Botafogo.
Mais à frente, sem aquela certeza, mas pelo potencial que têm, Paquetá, Gerson e Matheus Pereiraenquanto Neymar não vem, se é que virá. Gabriel Sara é bom nome, mas eu não levaria. Matheus Pereira, pela questão tática, eu preferia no lugar de Igor Thiago. Ótimo nome. E compreensível a chance.
No ataque, lamentando mais uma vez a ausência de Rodrygo para a Copa, e de Estêvão no momento, Luiz Henrique e minha primeira convocação pra Rayan – que segue jogando o fino, mesmo mudando de país. Raphinha como titular absoluto, como Vinicius Júnior. Hoje, meu camisa nove é um nome que eu há um ano não cogitaria – e agora é titular (João Pedro), com Matheus Cunha como opção, inclusive vindo mais de trás. Endrick de volta à lista. E Martinelli sempre nela.
Meus titulares hoje (enquanto aguardo os lesionados Militão, Bruno Guimarães e Estêvão): Alisson; Wesley, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro; Casemiro e Andrey Santos; Luiz Henrique, Raphinha e Vinícius Jr.; João Pedro.