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Planos de saúde passam a cobrir, a partir de abril, a prostatectomia radical assistida por robô, após aprovação da Agência Nacional de Saúde Suplementar. A tecnologia amplia a precisão do cirurgião, reduz riscos como disfunção erétil e incontinência urinária e melhora a visualização durante o procedimento. Embora já existam experiências de telecirurgia e mentoria remota, sempre há equipes locais para garantir segurança. A inteligência artificial começa a ser incorporada, com potencial para apoiar decisões e treinamento, mas ainda está em estágio inicial. O principal entrave à expansão é o custo elevado dos equipamentos, e a tendência é que o robô siga como ferramenta de apoio, sob controle humano.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Cirurgias robóticas deverão ser ofertadas pelos planos de saúde a partir da próxima semana. Não todas, infelizmente. Por enquanto, apenas a prostatectomia radical assistida por robô (trata-se da retirada total da próstata, em geral motivada por diagnósticos de câncer).
A incorporação do robô foi aprovada ano passado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) a partir de recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Foi dado às operadoras prazo de 180 dias para adequação, o que faz de abril o mês de início da oferta do serviço.
Por que isso é importante? Robôs fazem que diferença na saúde das pessoas? A seguir, Éder Mattosgerente nacional de educação em cirurgia robótica da empresa Hospcomesclarece nossas dúvidas a respeito.
ASSISTA: Para quem vai tirar a próstata, por que o robô é melhor?
Éder Mattos: Com cirurgia robótica, o risco de complicações cai para cerca de 15%. Antes, podia ultrapassar 90%. A principal vantagem é reduzir o risco de disfunção erétil e incontinência urinária. A cirurgia ocorre numa região muito delicada. Com maior precisão e melhor visão, o risco de lesão desses nervos é menor.
Hoje o médico nem precisa estar no mesmo lugar da máquina, pelo que vi.
Já foi feita uma telecirurgia experimental para Angola, a 14 mil quilômetros. O médico pode operar a distância, com um console conectado ao robô. Existe também a telementoria, em que um especialista acompanha e orienta o cirurgião.
Mas sempre há equipe nos dois lados. É importante deixar claro, para as pessoas não acharem que o paciente fica a 14 mil quilômetros sem supervisão.
Sim. Sempre há equipes técnicas qualificadas nos dois locais. Se algo acontecer, o time local assume imediatamente.
Quando falamos em cirurgia robótica, não se trata de substituir o médico, mas de ampliar capacidades, certo?
Correto. A máquina amplifica a capacidade e a expertise do cirurgião, que tem total controle sobre o robô. Aperfeiçoa os movimentos do cirurgião, corrige tremores, melhora a visão com imagem 3D ampliada até dez vezes. O profissional consegue enxergar estruturas, artérias e até ramificações cancerígenas que não veria a olho nu.
Como a inteligência artificial aparece aqui?
Está começando a ser inserida. Com a IA, estão surgindo conceitos como salas inteligentes, com possibilidade de mentoria a distância, até com projeções holográficas. Também haverá análise prévia dos dados do paciente, que poderão ser inseridos no sistema para sugerir caminhos ao cirurgião. Mas isso ainda está em desenvolvimento.
Quais são os principais entraves para expansão da cirurgia robótica? Custo, legislação, aceitação?
O custo do equipamento (entre 1,5 e 2 milhões de dólares) e a falta de informação a respeito. O paciente privado já chega pedindo cirurgia robótica. O paciente público depende de acesso, fila e disponibilidade.
Existem cirurgias em que não se recomenda robô?
Hoje o robô está presente em várias especialidades. Urologia, ginecologia, cirurgia geral, oncológica, cardíaca, entre outras. Existem cerca de 84 robôs em desenvolvimento no mundo para diferentes aplicações.
Quantos robôs fazem a cirurgia de próstata no Brasil?
Hoje são quatro modelos, incluindo o Toumai, distribuído com exclusividade no país por nós, a Hospcom.
O futuro aponta para cirurgias autônomas?
Não acredito em autonomia total. A IA deve apoiar, sugerir caminhos e melhorar a técnica, mas sempre será necessário controle humano.
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Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista e idealizador do podcast educativo Aprenda em 5 Minutos