Desconfiança com o STF chega a 60% após caso Master, mostra AtlasIntel
Porcentual de pessoas que não confiam na Corte é o mais alto da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2023. Crédito: Weslley Galzo (reportagem) e Anderson Russo (edição)
BRASÍLIA – A auditoria feita por técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Mestre concluiu que não foram identificadas “impropriedades, omissões ou negligência” por parte do órgão regulador.
A reportagem procurou as assessorias do Banco Central e do ministro Jhonatan de Jesus e o espaço segue aberto para manifestações.

Uma auditoria interna do próprio Banco Central detectou que dois servidores do banco foram cooptados pelo Master Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
“Conclui-se, ao final, que não foram identificadas impropriedades, omissões, ou negligência na atuação do Banco Central do Brasil. A decretação da liquidação extrajudicial foi considerada medida imperativa, legal, e tecnicamente fundamentada, adotada tempestivamente após o esgotamento fático das alternativas de recuperação e diante da insolvência e da possível prática de ilícitos pela instituição supervisionada”, conclui o relatório.
A atuação de Jhonatan de Jesus no caso Master e o cerco ao Banco Central provocaram questionamentos sobre os limites da Corte de Contas no processo que envolve o sistema financeiro. Além disso, como mostrou o Estadão, auditores do TCU relataram a interlocutores pressões do ministro para influenciar a análise técnica do processo.
UM íntegra do relatório dos técnicos do TCU foi encaminhada para a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE)sob a guarda do presidente da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Renan está consultando a área jurídica do Senado para avaliar a queda de sigilo sobre essa análise.
Na semana passada, como mostrou o Estadãoo subprocurador-geral do Ministério Público de Contas junto ao TCU (MP-TCU) Lucas Furtado respondeu ofício de Renan apontando que cabe ao Senado decidir pelo sigiloe não o TCU, já que a Corte de contas é um órgão vinculado ao Congresso.
No Banco Central, a conclusão do relatório da Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros (Audbancos) foi recebida com alívio porque reforça o caráter técnico do trabalho feito pelo BC durante o processo de análise da liquidação do Master.
Ainda assim, segundo apurou a reportagem, causa surpresa dentro do órgão que todo o relatório permaneça sob sigilo, por ordem de Jhonatan – mais de um mês após o término da diligência.
Entenda o caso
No dia 28 de março de 2025, Master e Banco de Brasília (BRB) anunciaram um processo de compra do banco privado pelo banco público. O BC, que precisava autorizar a venda, se debruçou sobre o balanço do Master e encontrou diversas irregularidades, como a venda de carteiras falsas originadas pela empresa de fachada Tirreno, segundo investigações da Operação Compliance Zero. Em setembro, a operação foi reprovada e o Master, liquidado dois meses depois.
Desde então, o Banco Central tem sido acusado pela defesa do banqueiro Daniel Vorcaro de ter se precipitado na liquidação. Essa visão foi referendada na atuação do relator do TCU no caso, ministro Jhonatan de Jesus – que determinou uma diligência sobre a ação do BC no caso.
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Emendas de ministro do TCU viram obras inacabadas e a maior parte “sumiu”
Emendas foram indicadas entre 2020 e 2023, quando Jhonatan de Jesus era deputado federal.
Atuação questionada
A atuação do ministro Jhonatan de Jesus no caso provocou questionamentos entre especialistas e técnicos do TCU ouvidos pelo Estadão – que afirmam que tribunal não poderia interferir no processo de liquidação determinada pelo Banco Central.
Figura próxima ao CentrãoJhonatan de Jesus entrou no TCU em 2023 pelas mãos do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) após quatro eleições para deputado federal.
Como revelou o Estadãoenquanto era deputado, Jhonatan indicou R$ 42 milhões em emendas parlamentares para Roraima que se transformaram em obras inacabadas e asfaltos esburacados. A maior parte “sumiu” sem prestação de contas sobre o que foi feito com o dinheiro.
O ministro nega desvio de finalidade nas indicações e afirma que a execução e a prestação de contas são de responsabilidade dos Estados e municípios que receberam os recursos.