
A mineradora quer triplicar a produção anual de 40 mil onças para 120 mil onças em até cinco anos Foto: Jaguar Mineração/Divulgação
De olho na alta prolongada do preço do ouro, a Jaguar Mining decidiu acelerar sua estratégia de crescimento em Minas Gerais, ancorada na reabertura de minas e na busca por aquisições. Brasileira, mas listada no Canadá, a mineradora quer triplicar a produção anual de 40 mil onças para 120 mil onças em até cinco anos e aponta potencial de chegar a 250 mil onças em um horizonte de cinco a dez anos. Para isso, destinará US$ 160 milhões (R$ 675 milhões), do caixa da empresa, em investimentos nos próximos anos.
“Com o que já temos (de reservas), vamos chegar a 100 mil, 120 mil onças de produção anual. Se encontramos novas jazidas, o potencial pode chegar a 200 mil, 250 mil onças num horizonte de cinco a dez anos”, contou o presidente da companhia, Luís Albano Tondo.
O pano de fundo dos movimentos da Jaguar é a valorização do ouro, impulsionada por fatores como as crescentes tensões geopolíticas, a aversão ao risco de investidores e o enfraquecimento do dólar. O metal teve forte valorização em 2025, de 40%, e segue o rali em 2026, com ganho de cerca de 20%. A cotação chegou a US$ 5.500 no fim de janeiro e, mesmo com alguma correção, ainda está acima de US$ 5.000.
Criada em 2002 por ex-funcionários da AngloGold Ashanti, a Jaguar tem interesse em ativos de padrão internacional, ou seja, com produção estimada em ao menos 100 mil onças por ano. Atualmente, o único de seus ativos em pleno funcionamento é o Complexo Caeté – mina Pilar e planta de beneficiamento Roça Grande -, cuja produção deve atingir 40 mil onças neste ano.
Retomadas
A mineradora reabriu recentemente o Complexo Turmalina, que teve um acidente em dezembro de 2024, com o deslizamento parcial de uma pilha seca de rejeitos (material que sobra do processamento) e estéril (material escavado que não tem teor do minério em concentração econômica). O acidente afetou 300 pessoas. Com isso, a Jaguar recebeu multas que somaram US$ 27 milhões e teve operações embargadas, mas os embargos já foram retirados. Antes da paralisação, o complexo produzia entre 30 mil e 35 mil onças, e a companhia prevê uma retomada gradual, sem estimar prazos para voltar ao patamar anterior.
Outro ativo que estava paralisado, a mina Santa Isabel, no Complexo de Paciência, deverá entregar cerca de 20 mil onças em 2027, partindo de uma produção entre 4 mil e 6 mil onças em 2026, de acordo com as estimativas da companhia. O ativo está desde 2012 em manutenção, com baixa viabilidade econômica devido à cotação do ouro, situação agravada pelo royalty de 6% acertado com a AngloGold, detentora do direito minerário.
Mas, quatro anos atrás, uma negociação eliminou os royalties, melhorando a equação. Agora, o preço do ouro elevou a atratividade do projeto, frisa Albano. A planta do complexo precisa de uma reforma substancial, com investimento estimado em US$ 30 milhões a US$ 50 milhões, e por isso o minério extraído da mina Santa Isabel irá para as instalações de Caeté, a cerca de 100 km.
O momento em que a retomada da mina se dará ainda é dúvida. “Estamos verificando as reservas para determinar quando a mina entrará em operação”, explicou o executivo.
Esta notícia foi publicada na Transmitir+ no dia 07/04/2026, às 10:00
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