O presidente da República, António José Seguro, afirmou que não é a Constituição que impede a resolução dos problemas dos portugueses, acrescentando que a frustração das pessoas está relacionada ao não cumprimento do texto fundamental.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Seguro discursava em sessão solene no Parlamento que marcou os 50 anos da aprovação da Constituição da República Portuguesa, em 2 de abril de 1976, que estabeleceu os princípios básicos do regime democrático.
“Não é a Constituição que impede a resolução dos problemas concretos dos portugueses. A frustração que os portugueses sentem não é com a Constituição, mas com o seu descumprimento”, defendeu.
Embora não tenha poder legislativo nem executivo, o presidente jurou que fará tudo o que estiver ao seu alcance para cumprir e fazer cumprir a Constituição, ressaltando que trabalhará em um quadro de cooperação com os poderes políticos para que os direitos nela consagrados não fiquem “em letra morta”, a começar pelo Serviço Nacional de Saúde, a desigualdade e o problema “inqualificável” da corrupção, que mina a confiança nas instituições.
“Está por cumprir o princípio de uma sociedade justa e solidária”, afirmou, frisando que todos os dias saem novos dados preocupantes sobre os custos da habitação. “O Estado despertou tarde e é lento nas respostas. São urgentes respostas e resultados concretos”, reiterou.
A Constituição não existe apenas nas instituições, “ela vive e é posta em prática nos valores que compartilhamos e na forma como tratamos os outros”, disse o chefe de Estado, alertando que é preciso “preservar os tribunais de leituras ou debates que possam sugerir sua partidarização”, em um momento em que ainda não se sabe a solução para órgãos como o Tribunal Constitucional.
“Sem tolerância e respeito pelo outro não há Constituição que resista”, alertou, defendendo que “a Constituição deu-nos ferramentas, mas cabe-nos a nós e às gerações seguintes saber usá-la”.
“A democracia não é um destino adquirido, é uma prática diária. Não basta celebrar em sessão solene, é dar vida a ela, é garantir que a cada dia estejamos mais próximos de uma sociedade justa e solidária, que não deixa ninguém para trás”, reforçou.
Durante o discurso, Seguro começou por lembrar que “há 50 anos Portugal escrevia, com as mãos ainda trêmulas de liberdade, seu pacto mais solene com o futuro”.
Para o presidente, “a Constituição da República Portuguesa foi a lei fundamental e a voz de um povo que, saindo das sombras de décadas de silêncio, escolheu a luz da democracia, da dignidade, da justiça social como seus valores fundacionais”.
“Esta data não pertence ao passado, esta data pertence a todos nós. Ao Portugal que somos e que queremos continuar a ser”, realçou, homenageando os capitães de Abril, assim como a “Assembleia Constituinte, pela construção de uma República livre e plural”.
“A Constituição soube resistir ao tempo e evoluir em sete revisões, revelando flexibilidade sem perder a sua essência – é a matriz comum que dá estabilidade à nossa democracia”, destacou, lembrando que foi a lei fundamental que tornou possível o Estado social.
“Éramos uma ditadura, somos uma democracia”, rematou.