Quer saber o que está por trás dos números do INSS e outros temas quentes? Frankito desvenda
Especialista em dados vai contar histórias por meio dos infográficos todo domingo em coluna no ‘Estadão’. Crédito: TV Estadão
Foto: Tiago Queiroz/Estadão Franklin WiseColunista do Estadão
Volta e meia nos deparamos com infográficos ou conjuntos de dados no noticiário, mas interpretá-los nem sempre é tarefa fácil. Por trás desses números, há histórias que afetam diretamente as nossas vidas, como o escândalo de fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Esse será justamente o primeiro assunto abordado neste domingo, 21, por Franklin Weise – conhecido nas redes sociais como Frankito, o Curioso – novo colunista do Estadão.
A publicação será semanal (todo domingo, às 6 horas da manhã): em vídeo, texto e muitos gráficos. Com os números como ponto de partida, a cada semana ele vai mergulhar em um tema diferente.
Na estreia, Frankito traça a linha do tempo dos descontos do INSS dos aposentados e do rápido aumento de arrecadações pelas entidades. Esse histórico é chave para entender as fraudes e desvios do dinheiro de aposentadorias e pensões, agora alvo de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso.

Apaixonado por dados, Frankito vai tornar acessíveis temas e infográficos complexos Foto: Tiago Queiroz/Estadão
Em entrevista ao EstadãoFrankito conta sobre seu interesse por dados e fala do trabalho quase arqueológico para encontrar as bases de dados e montar o quebra-cabeça dos números de forma acessível para todos nós.
Leia os principais trechos da entrevista:
Como está a expectativa para a estreia, Frankito?
Eu não esperava que a minha pauta gerasse tanto interesse. Sempre achei que a minha pauta fosse muito para um público muito restrito. Fico feliz de ter um público maior agora para isso.
Você vem da Engenharia, né? Como nasceu essa vontade de ir para rede social, escrever e analisar coisas?
Começou na pandemia: eu fiquei desesperado, queria entender aquilo. Mas em relação aos dados especificamente, eu simplesmente não ficava satisfeito com os dados que eram apresentados para mim. Todas as noites, eu ficava três horas colhendo tudo que eu conseguia.
O grande clique para mim foi um dia que minha esposa veio me perguntar uma coisa. Eu falei: “Mas isso não está no noticiário?” Ela falou: “Eles não falaram ainda”. Mas como assim?
É porque eu, de modo geral, conseguia obter alguma informação dias antes de sair no noticiário. Por ir direto na fonte primária.
E juntou com o que já venho fazendo profissionalmente desde sempre, que é basicamente traduzir informação mais complexa, do pessoal de P & D, para o meu público, que pode ser um operador de fábrica, um gerente de fábrica ou de marketing.
Sou apaixonado por isso, faço quase como um hobby: transformar dados duros em algo mais atraente. Principalmente assim, fazendo apresentações interessantes e gráficos. As pessoas gostam disso, são muito visuais.
Mas as pessoas gostam de gráficos que elas entendam…
Costumo dizer o seguinte: existem os gráficos corretos, mas feios. Esses são os dos engenheiros, porque a gente gosta de complicar, né?
E há os gráficos marqueteiros, que são muito bonitos, mas que às vezes não têm muita substância, né? A gente tenta fazer uma junção desses dois mundos.
E os números, se você torturá-los, podem falar o que você quiser… O grande desafio é olhar para eles e não levar a entender uma coisa que no geral não se sustenta, certo?
É isso que a gente viu muito na pandemia. O pior tipo de mentira é aquela quando você usa números reais. E houve pessoas que fizeram isso de forma muito hábil.
É perigoso isso. Quando o leigo é defrontado com um número real em um gráfico, vai acreditar naquilo. É preciso que existam pessoas que sejam céticas ou chatas.
Que questionem isso, expliquem para o leigo, de uma forma mesmo didática. Acho que sempre fui um pouquinho professor também, né? E então assim, é um é um desafio.
Você não pode, ao mesmo tempo, menosprezar a inteligência do teu público, mas também não pode superestimar. De onde estou partindo? Qual o conhecimento prévio que a pessoa tem?
Sua primeira coluna será sobre o escândalo do INSS.
De modo geral, tendo a fugir de questões e análises mais subjetivas, mas quando os dados me contam alguma coisa, vou mostrar. No caso do INSS, tem uma base de dados bem grande, no Portal da Transparência. Precisei de um outro usuário do Twitter (hoje X) para me ajudar a baixar. Estamos falando de 10 anos e 40 entidades. É muita coisa.
Você analisou os descontos que as entidades fizeram nos recebimentos dos aposentados, foi isso?
Sim. Eu diria que a descoberta mais assustadora foi ver o número ou o percentual de entidades que, eu acredito, estavam envolvidas no esquema. Quando falo muito alto, são praticamente todas. Pelo menos é o que os números mostram. Vejo o crescimento das contribuições e se aquilo está seguindo um histórico ou não.
De uns anos para cá, praticamente todas elas explodiram, né? Independentemente se novas ou antigas. Isso me deixou muito triste. As exceções são os que fizeram certo. A regra foi as que fizeram errado.
Você diz isso porque percebe aumento suspeito de arrecadação, um aumento atípico de arrecadação?
Exato. Das entidades recebendo contribuições mensais – até o começo do ano eram 37 -, 32 tiveram aumento muito grande nos últimos anos, três a quatro anos.
Quais outras pautas você vai trazer? Serão vários temas, certo?
Não gosto de repetir pautas. Outra será sobre os homicídios ocultos. São os homicídios não classificados como tal. Em alguns casos, existe um código, uma CID 10 para isso, que não se sabe a intenção nem mesmo o que matou a pessoa. É uma zona totalmente cinzenta. Como é que pode ter tantos homicídios onde não se sabe nada do que aconteceu?
Outra pauta legal é sobre o detalhamento dos óbitos no trânsito. O histórico por modal: carros, motocicletas, ciclistas, pedestres ao longo dos anos. Tem muitos detalhes que são bem interessantes.
Além da curiosidade, isso ajuda a guiar o debate público.
É. Por exemplo: agora está se falando em redução de velocidade em vias urbanas. E o ponto é: o quanto que se sabe sobre a mortalidade em vias urbanas? Existem os mortos que você sabe que morreram no trânsito, mas sem saber como. Em que situação? Em que lugar?