‘É você que vai tirar tudo o que eu gosto de comer?’: Por que a nutrição punitiva ainda é regra?
A nutricionista Desire Coelho conta que ser uma profissional que gosta de comida virou um diferencial em sua área e explica que quem sai perdendo é o paciente.
Na busca por um estilo de vida mais saudável e pela redução do consumo de álcool, muita gente está adotando o hábito de saborear as chamadas bebidas adaptogênicas.
Elas são feitas com cogumelos funcionais, ervas e plantas como o ginseng, a valeriana e o jambu, e ganharam o mercado prometendo redução do estresse e relaxamento, sem ressaca. Para muita gente, parece uma boa combinação. Mas o que são exatamente essas bebidas?

Bebidas adaptógenas são feitas de substâncias naturais e prometem redução da ansiedade e relaxamento sem ressaca no dia seguinte Foto: Brent Hofacker/Adobe Stock
Como explica a professora de química da UERJ Monica Calderari, que também é nutricionista, do ponto de vista bioquímico, as substâncias adaptógenas são substâncias naturais presentes em algumas plantas e cogumelos que vêm sendo estudadas por sua capacidade de aumentar a resistência do organismo ao estresse físico, mental e ambiental.
“Em doses adequadas, elas podem atuar como moderadores suaves da resposta ao estresse, ajudando o corpo a manter o estado de equilíbrio e evitando aquela sensação de exaustão constante, sem alterar de forma agressiva o metabolismo normal do organismo”, afirma. “As bebidas adaptógenas combinam alguns desses ingredientes para supostamente ajudar o organismo a lidar com a sobrecarga, cansaço mental, ansiedade leve e dificuldade para relaxar.”
Bebidas adaptógenas são muito diferentes de bebidas alcoólicas. “Não se trata de um ‘álcool natural’”, diz a especialista. “O álcool tem um efeito muito diferente e muito mais agudo, atuando diretamente no sistema nervoso central, provocando a desinibição e reduzindo a ansiedade.”
O álcool atua nas chamadas vias de recompensa do cérebro, causando a sensação imediata de relaxamento e maior sociabilidade. E também, como já é bem sabido, tem vários efeitos colaterais, que vão da famosa ressaca do dia seguinte, até a dependência, passando por prejuízo cognitivo, inflamação e impacto no fígado.
As adaptógenas, por sua vez, atuam, principalmente, na regulação do estresse, influenciando sistemas hormonais, químicos e cerebrais, relacionados ao estado de alerta, caso do cortisol, um hormônio crucial nessa resposta.
“As bebidas adaptógenas não causam euforia nem desinibição”, afirma Mônica. “Algumas formas favorecem o estado de calma leve, mas não como um calmante; é mais parecido com um chá que você toma para desacelerar um pouquinho.”
Mesmo apresentando muito menos riscos potenciais do que o álcool, as adaptógenas também devem ser consumidas com moderação, segundo a especialista.
“Elas podem, sim, sobrecarregar o organismo; não estamos falando de água…”, disse. “Vale lembrar que até mesmo alguns chás em excesso podem sobrecarregar o fígado.”