Como agem no cérebro as bebidas adaptógenas (que relaxam, mas não dão ressaca)? Ciência explica

Como agem no cérebro as bebidas adaptógenas (que relaxam, mas não dão ressaca)? Ciência explica

‘É você que vai tirar tudo o que eu gosto de comer?’: Por que a nutrição punitiva ainda é regra?

A nutricionista Desire Coelho conta que ser uma profissional que gosta de comida virou um diferencial em sua área e explica que quem sai perdendo é o paciente.

Na busca por um estilo de vida mais saudável e pela redução do consumo de álcool, muita gente está adotando o hábito de saborear as chamadas bebidas adaptogênicas.

Elas são feitas com cogumelos funcionais, ervas e plantas como o ginseng, a valeriana e o jambu, e ganharam o mercado prometendo redução do estresse e relaxamento, sem ressaca. Para muita gente, parece uma boa combinação. Mas o que são exatamente essas bebidas?

Como explica a professora de química da UERJ Monica Calderari, que também é nutricionista, do ponto de vista bioquímico, as substâncias adaptógenas são substâncias naturais presentes em algumas plantas e cogumelos que vêm sendo estudadas por sua capacidade de aumentar a resistência do organismo ao estresse físico, mental e ambiental.

“Em doses adequadas, elas podem atuar como moderadores suaves da resposta ao estresse, ajudando o corpo a manter o estado de equilíbrio e evitando aquela sensação de exaustão constante, sem alterar de forma agressiva o metabolismo normal do organismo”, afirma. “As bebidas adaptógenas combinam alguns desses ingredientes para supostamente ajudar o organismo a lidar com a sobrecarga, cansaço mental, ansiedade leve e dificuldade para relaxar.”

Bebidas adaptógenas são muito diferentes de bebidas alcoólicas. “Não se trata de um ‘álcool natural’”, diz a especialista. “O álcool tem um efeito muito diferente e muito mais agudo, atuando diretamente no sistema nervoso central, provocando a desinibição e reduzindo a ansiedade.”

O álcool atua nas chamadas vias de recompensa do cérebro, causando a sensação imediata de relaxamento e maior sociabilidade. E também, como já é bem sabido, tem vários efeitos colaterais, que vão da famosa ressaca do dia seguinte, até a dependência, passando por prejuízo cognitivo, inflamação e impacto no fígado.

As adaptógenas, por sua vez, atuam, principalmente, na regulação do estresse, influenciando sistemas hormonais, químicos e cerebrais, relacionados ao estado de alerta, caso do cortisol, um hormônio crucial nessa resposta.

“As bebidas adaptógenas não causam euforia nem desinibição”, afirma Mônica. “Algumas formas favorecem o estado de calma leve, mas não como um calmante; é mais parecido com um chá que você toma para desacelerar um pouquinho.”

Mesmo apresentando muito menos riscos potenciais do que o álcool, as adaptógenas também devem ser consumidas com moderação, segundo a especialista.

“Elas podem, sim, sobrecarregar o organismo; não estamos falando de água…”, disse. “Vale lembrar que até mesmo alguns chás em excesso podem sobrecarregar o fígado.”

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