Os congestionamentos na saída de São Paulo podem deixar de ser um problema para quem estiver disposto a pagar por isso. A Revo, empresa de mobilidade aérea, lançou uma nova rota para conectar os paulistanos ao Quinto de Baronezacondomínio de luxo em Bragança Paulista, onde os imóveis podem custar mais de R$ 30 milhões. A companhia tem outros dois destinos fixos no itinerário: o Aeroporto de Guarulhos e a Fazenda Boa Vista.
Para Bragança, os voos custam a partir de R$ 4,5 mil por assento e decolam de um heliponto na Avenida Faria Lima (Internacional Plaza II) ou no Cidade Jardim (Continental Tower). As viagens duram aproximadamente 30 minutos. De carro, o mesmo trajeto de 90 quilômetros poderia durar de 1h30 a duas horas em dias de pouco trânsito.
A Revo disponibiliza voos em horários pré-estabelecidos nas sextas e sábados, com saída de São Paulo rumo ao condomínio. O retorno é sempre no domingo.

Ao redor do mundo, Revo tem mais de 410 aeronaves e realiza mais de 2,2 mil pousos e decolagens todos os dias Foto: Divulgação/Revo
As reservas podem ser realizadas pelo site da empresa ou por meio de um aplicativo, onde o interessado opta pelo aluguel da cabine completa ou apenas um assento no helicóptero. Cada viagem pode ser compartilhada por até oito passageiros.
Nos outros dois destinos no itinerário, a viagem até o Aeroporto de Guarulhos custa R$ 2,5 mil e até a Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz (SP), R$ 4,85 mil por assento. Ambos saem da Faria Lima.
No entanto, é possível contratar um serviço de taxi aéreo para outros destinos. Entre os mais procurados estão a cidade de Angra dos Reisno Rio de Janeiro, e Laranjeiras, condomínio de luxo em Paraty (RJ).

A Revo tem três destinos fixos partindo de São Paulo no itinerário: o Aeroporto de Guarulhos (R$ 2,5 mil por assento), a Fazenda Boa Vista (R$ 4,8 mil) e a Quinta da Baroneza (R$ 4,5 mil) Foto: Divulgação/Revo
Ao todo, a companhia realiza 10 voos por final de semana. “Em São Paulo, você nunca sabe quanto tempo vai perder por causa do trânsito. Criamos uma forma de tornar esse tipo de mobilidade mais acessível”, sugere Patricia Dib, CMO da marca no Brasil.
A Revo pertence ao grupo multinacional Omni Helicopters International (OHI) e começou a operar nesse modelo em 2020, estimulada pela Pandemia. “Percebemos um movimento grande de pessoas indo para os condomínios de luxo no interior”, justifica Dib. No primeiro ano de operação no Brasil, a companhia chegou a fazer 22 voos por dia em horários de pico.
Atualmente, a empresa conta com três aeronaves em operação — um modelo Airbus H135 (5 lugares) e dois helicópteros H155 (8 lugares). Porém, não são apenas os helicópteros que atraem os clientes, explica a executiva. “Temos um carro blindado com motorista particular que busca o cliente em casa e leva até o heliponto na Faria Lima”, descreve.
Mercado em crescimento
A Revo não é a única a apostar nesse nicho. A Flapper, em atuação no Brasil desde 2016, atua com modelo semelhante. A startup de aviação executiva sob demanda se apresenta como um “Uber de aviões”, ao conectar empresas do segmento a clientes interessados, além de atuar como uma operadora própria.
A companhia tem 4 mil aeronaves listadas mundialmente e 243 na região de São Paulo. Por meio de um aplicativo, o cliente pode comprar um assento em voos compartilhados que partem do aeroporto Marte Field para Angra dos Reis todas as sextas e domingos com nove passageiros por aeronave. O preço da viagem varia de R$ 2,2 mil a R$ 3 mil por pessoa.
Já para um voo privado, os custos variam de R$ 10 mil a R$ 30 mil, de acordo com destino, tipo de aeronave e serviços adicionais.
“O aumento do trânsito em São Paulo, o lançamento de novos empreendimentos imobiliários de luxo no interior e o crescimento do poder aquisitivo dos clientes estão fazendo este mercado expandir”, analisa Paul Malicki, CEO da Flapper.
A companhia opera cerca de 200 voos por mês. Porém, segundo o empresário, o tipo de operação mais procurado não é o de viagens para condomínios no interior. “É uma operação muito cara e a conta não fecha ao realizar só este tipo de serviço. O principal uso deve continuar sendo o de viagens de negócios”, comenta o executivo.
Uberópter
Enquanto empresas de táxi-aéreo disputam o selo de “uber do mercado de aviação”, a própria Uber anunciou que oferecerá a opção de viagens a passageiros com helicópteros elétricos e hidroaviões.
Em parceria com a Joby Aviation, a companhia garante que a partir de 2026 os clientes poderão utilizar o aplicativo da Uber para reservar serviços da Blade, uma plataforma de mobilidade aérea que opera a infraestrutura de terminais e pontos de pouso em destinos de Nova York.
Atualmente, as viagens intermediadas pela Blade custam a partir de US$ 195 (pouco mais de R$ 1 mil) por assento. A expectativa da Uber é disponibilizar os serviços a partir do próximo ano, mas a companhia não informou quando a opção chegará ao Brasil.
Essa não seria a primeira vez que um projeto parecido entraria em funcionamento no País.
Em meados de 2016, a empresa começou a testar um serviço de helicóptero sob demanda em São Paulo, o UberCopter. O teste durou apenas um mês, com voos saindo Blue Tree Faria Lima, no Itaim bibicom destino ao aeroporto de Guarulhos custando R$ 271 por assento e duração de apenas 11 minutos.
Depois do teste, a ferramenta não se consolidou na capital paulista nem se expandiu para outras cidades brasileiras. Não há perspectiva de retorno da iniciativa.