Drone flagra espuma tóxica cobrindo grande extensão do Rio Tietê em Salto
Autor do vídeo diz que faz imagens há dez anos e o problema só tem piorado. Crédito: Daniel Santos | D-Vision Imagens Aéreas
Imagens de drone flagraram, neste sábado, 2, densas camadas de espuma tóxica cobrindo uma grande extensão do Rio Tietêna região de Saltono interior de São Paulo. Autor das imagens, o fotógrafo Daniel Santos, diz que subiu o drone entre às 10 horas e o meio-dia. Ele relata que o fenômeno se repete praticamente todo ano e vem se agravando.
UM Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que intensificou as fiscalizações e aplicou multas. O governo do Estado diz que investirá R$ 20 bilhões em saneamento até 2029.
De acordo com Santos, que é morador de Salto, ele tem registrado espumas no Tietê há dez anos e o problema acontece de forma recorrente. “Nunca melhorou, mas agora parece que está pior. As pessoas que vêm visitar esta região das cachoeiras reclamam muito do cheiro. Nós, moradores, estamos até acostumados, mas os visitantes relatam irritação nos olhos e no nariz devido aos gases que saem das espumas.”
De acordo com a ambientalista Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlânticaembora o problema das espumas seja recorrente, por causa da baixa vazão neste período do ano, o fato reflete a concentração de poluentes que o rio recebe especialmente da Região Metropolitana de São Paulo.

Já tem sido comum nessa época do ano a espuma tóxica cobrir o Rio Tietê, em Salto; problema tem piorado Foto: Taciane Costa/Arquivo Pessoal
“Quando as águas com essa carga enorme de poluição chegam às corredeiras de Salto, formam espumas provenientes de sulfactantes, que são produtos biodegradáveis, como saponáceos, detergentes, pasta de dente e outros presentes no esgoto”, diz.
Este ano, segundo ela, além da estiagem, houve um “gravíssimo problema” que foi o rompimento de uma rede de esgoto na altura da Marginal Tietê.
“A Sabesp, que é responsável pelo saneamento na região e também pelo projeto de despoluição do Tietê, de forma inadequada, lançou os efluentes da região norte da capital paulista diretamente no rio. Isso fez com que aumentasse a carga poluidora no rio justamente no período de estiagem, agravando o problema para uma cena que não deveríamos mais estar vendo diante dos avanços que foram feitos nos índices de coleta e saneamento de esgoto.”
Conforme registrou o Estadãono dia 27 de junho, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) despejou esgoto diretamente no Rio Tietê, entre as pistas local e central da Marginal, em frente à Avenida Engenheiro Caetano Alvares. A empresa disse ao jornal que “foi preciso realizar uma manobra emergencial para esvaziar a rede no trecho em obras da marginal Tietê, com o objetivo de identificar o que originou a cratera na via.
A dirigente da SOS Mata Atlântica aponta que outra falha voltou a ser registrada neste sábado em uma estação elevatória de esgoto do Rio Pinheiros, drenando efluentes diretamente para o rio, que é afluente do Tietê. Segundo ela, lançar esgoto in natura no rio é proibido pela Constituição paulista desde 1989 e fatos como estes comprometem investimento feito na despoluição do Rio Tietê nos últimos 30 anos.
Roberval Tavares, diretor de engenharia da Sabesp, diz que todo ano na época de seca acontece a espuma no Tietê em Salto. Em que pese a Sabesp ter investido nos últimos 30 anos na despoluição do Rio Tietê, ainda 36% do esgoto gerado na Região Metropolitana não é encaminhado para tratamento. Esse é o grande motivo da espuma, segundo ele.
Quando à obra da Marginal, houve uma operação emergencial realizada na região do Mandaqui para evitar que a cratera tivesse um aumento no seu diâmetro. O que aconteceu foi uma coisa pontual e não interfere na questão da espuma em Salto. O grande vilão são os 36% do esgoto ainda não tratado e esse é o grande investimento que a Sabesp vem fazendo para tratar 100% do esgoto até 2029 na região metropolitana de São Paulo.
O que diz o governo
O governo de São Paulo informou que o programa IntegraTietê, prevê R$ 20 bilhões de investimento em saneamento e na conexão de 2,2 milhões de domicílios à rede de esgoto até 2029. Conta ainda com um Grupo de Fiscalização Integrada das Águas do Rio Tietê (GFI-Tietê), que já percorreu 7,1 mil quilômetros do Rio e aplicou R$ 6,6 milhões em multas.
A Cetesb acompanha os episódios de formação de espuma no Rio Tietê e intensificou as fiscalizações, tendo realizado este ano 324 coletas de amostras e 114 vistorias em estações de tratamento, indústrias e municípios que ainda não tratam esgoto.
No período, foram aplicadas penalidades que somam R$ 3,8 milhões a agentes poluidores. Além disso, o Estado trabalha na limpeza e desassoreamento do Rio, já tendo retirado desde 2023 mais de 3,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos do Tietê e seus afluentes.