Há 50 anos, Silvio Santos ganhava sua primeira concessão de canal e começava seu império televisivo

Há 50 anos, Silvio Santos ganhava sua primeira concessão de canal e começava seu império televisivo

No meio da década de 1970 uma medida do governo do general Ernesto Geisel, o penúltimo presidente da ditadura militar, transformaria a televisão brasileira nos anos seguintes. Em 23 de outubro de 1975, o apresentador Sílvio Santos (1930-2024)que já era um campeão de audiência alugando espaços em canais de TVs alheios, ganhava uma concessão para ter a sua própria emissora.

A novidade foi noticiada no Jornal da Tarde do dia seguinte e ali Silvio verbalizava qual era a sua intenção: “Sílvio Santos ainda não tem planos elaborados mas diz que tentará, a partir desse canal, formar uma rede nacional tão logo seja possível.” “E vou fazer uma programação de acordo com os desejos do governo”. Leia a íntegra da reportagem publicada em 24 de outubro de 1975.

Jornal da Tarde – 24 de outubro de 1975

Uma nova tevê – A de Sílvio.

Silvio Santos não precisa mais sonhar em ter sua própria estação de televisão. Ontem o presidente Geisel assinou um decreto que outorga à TV Stúdios Silvio Santos Ltda. a concessão para explorar o canal 11 do Rio de Janeiro. O sonho começou há muito tempo desde que a popularidade do apresentador sorridente alcançou altíssimos números no Ibope e que ele montou uma imensa infraestrutura muito mais dirigida para uma televisão inteira do que para um programa dominical.

Na verdade, Silvio Santos queria uma estação de televisão em São Paulo mas não há mais nenhum canal paulista a ser concedido. Ele tentou ganhar a concessão do Canal 9 e perdeu para o Jornal do Brasil. Tentou ficar sócio do Canal 7 e afirmou, na época, “que faltava alguns milhões para completar a transação”. No ano passado, inscreveu-se para a concessão de um dos dois canais cariocas ainda existentes. Perdeu para o grupo da TV Bandeirantes.

Agora que tem seu próprio veículo de comunicação de massas, Sílvio Santos pode sonhar em expandir-se. Oportunidades ele terá porque, no planejamento governamental, o Brasil comporta 661 canais de televisão e não há, ainda, 200 em atividade. Sílvio Santos ainda não tem planos elaborados mas diz que tentará, a partir desse canal, formar uma rede nacional tão logo seja possível.

Ele também acha que ganhou a concessão porque o Ministro das Telecomunicações deve ter achado que Sílvio Santos tem condições de “fazer a televisão que o governo pretende”. “E vou fazer uma programação de acordo com os desejos do governo”.

Para escolher Sílvio Santos, o ministro Quandt de Oliveira disse que levou em conta a sua capacidade financeira e o tipo de programação que pretende transmitir, “voltado para um grande público, com mensagens positivas”.

O ministro ainda não sabe qual será essa programação mas sabe que ela não será dirigida exclusivamente para um público de elite” mas manterá um alto nível de trabalho procurando atingir um grande público”. Assim que o contrato de concessão for assinado, Sílvio Santos terá um prazo de seis meses para apresentar o estudo técnico de instalação da emissora. E mais dois anos para colocá-la no ar.

SBT

Anos depois, no governo de João Batista Figueiredo, Silvio Santos conseguiria a sonhada concessão de um canal paulista que se transformaria no Sistema Brasileiro de Televisão, o SBT, a segunda maior rede de televisão do País. Em 1987, Silvio Santos contou numa entrevista exclusiva ao Estadão como foram os bastidores do lobby para obter a concessão com a ajuda do cantor Dom, da dupla Dom e Ravel:

É verdade que o Dom, da dupla Dom e Ravel, o ajudou a ganhar a concessão?

Naquele mesmo dia, em Brasília, o Délio me pediu que ajudasse o Dom e o Ravel, mas eu achava que eles eram comunistas. O Délio disse que não, eram de confiança.

Então concordei em ajudar. O Dom me disse que era mesmo amigo do Délio. Ele trabalhou para mim como relações públicas na área militar, mas eu durante 16 meses só paguei a ele como jurado de meu programa.

Agora está movendo uma ação contra mim e vai ganhar, fazer o quê? Paguei como jurado, não como relações públicas. Se ganhar na justiça, pago de novo. O José Renato, que era do meu júri, primo de dona Dulce Figueiredo, foi relações públicas na área do presidente Figueiredo. E eu atuei nas outras.

Trabalhamos só os três pela concessão, ninguém mais. Ninguém acreditava que a gente ia ganhar. A concessão foi ganha em nome de Carmen Abravanel e Paulito Machado de Carvalho, os nomes estavam lá, foi honesto. O Paulo Machado de Carvalho desistiu e até hoje estou me virando. São 44 estações…

JORNAL DA TARDE

Por 46 anos (de 4 de janeiro de 1966 a 31 de outubro de 2012) o Jornal da Tarde deixou sua marca na imprensa brasileira.

Neste blog são mostradas algumas das capas e páginas marcantes dessa publicação do Grupo Estadual que protagonizou uma história de inovações gráficas e de linguagem no jornalismo. Um exemplo é a histórica capa do menino chorando após a derrota da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1982, na Espanha.

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