Magic! fala sobre ‘Rude’ e lamenta ser conhecido apenas pelo hit
Banda se apresenta neste sábado, 2, no Tokio Marine Hall. Novidades do grupo incluem um álbum recém-lançado com toque espiritual e parceria de Nasri com Maiara. Crédito: Imagens: Bruno Nogueirão | Edição: Júlia Pereira
“Eu falo português”, Nasri faz questão de dizer ao ouvir uma pergunta da reportagem do Estadão em inglês. O vocalista do Magia! está, ao lado do guitarrista Mark Pelli, vivendo há algum tempo a rotina de um verdadeiro paulistano. Seus “rolês” na capital paulista já somam uma ida a um jogo do Palmeiras, o lançamento de uma música com a dupla sertaneja Maiara e Maraisa e uma gravação de um clipe para a faixa em uma loja de discos em Pinheiros, onde também ocorre a entrevista dos integrantes.

Mark Pelli e Nasri, guitarrista e vocalista do Magic!, respectivamente. Foto: Tiago Queiroz/Estadão
Foi há mais de dez anos, um pouco mais ao norte do País, na Jamaica, que a banda bebeu da fonte do gênero coroado por Bob Marley: o reggae. Bastaram os primeiros acordes de Rudede 2013, e outros sucessos que nasceram da banda na sequência, como De jeito nenhum não e Vestido vermelhopara que o Magic! passasse a ser considerado “um grupo de reggae”. Rudehoje, soma 2,5 bilhões de visualizações apenas no YouTube. No Spotify, a música já foi ouvida 1,8 bilhão de vezes.
“Nós já deixamos o reggae para trás. Não fazemos reggae há anos”, frisa, porém, Nasri. O Magic! desembarca no Brasil com três shows marcados – em São Paulo, Brasília e Florianópolis –, se reafirmando uma “banda de pop” e com um álbum “fresquinho”, Energia do amor interior (Energia do amor internoem tradução livre).
O lançamento do disco chegou a ser adiado após a morte do pai do vocalista. “Foi uma decisão fácil. (…) Todo mundo entendeu”, detalha ele. O tom “espiritual” do álbum vai além do título – Nasri diz que, para ele, a música sempre precisa vir de uma “inspiração espiritual”.

Nasri, vocalista do Magic!. Último lançamento da banda foi o álbum ‘Inner Love Energy’. Foto: Tiago Queiroz/Estadão
“Nós somos os apóstolos mágicos do reggae pop”, diz. “Há momentos em que não estamos fazendo música de forma espiritual. Essas músicas não entram para o álbum. Elas são muito ‘grudentas’, mas há algo que simplesmente não funciona. E é por isso que, quando alguém me pergunta, ‘ah, me conte a história de como você escreveu essa música’, eu nem me lembro. Não consigo me lembrar porque eu estava apenas conectado com algo espiritual.”
O passado é do passado
Quando questionados se se incomodam com o fato de Magic! ser, muitas vezes, lembrada como “a banda de Rude”, Nasri e Mark dão respostas distintas. O guitarrista diz que o fato não o incomoda, mas que, por vezes, causa frustração aos integrantes.
Mark relata ter assistido a uma criadora de conteúdo que chamou Rude de “a música mais irritante de 11 anos atrás”, mas presenciou o público defendendo a canção nos comentários.
“É uma bênção ter algo que faz tanto sucesso. Mas, ao mesmo tempo, isso mexe um pouco com a sua mentalidade, porque você quer continuar fazendo ótimas músicas que as pessoas gostem”, diz ele. “E, em geral, as pessoas não vão ouvir as músicas novas. Elas só se importam com a antiga. Foi o que aconteceu conosco. Lançamos muitas músicas novas que as pessoas têm pouco interesse. Mas isso não é, necessariamente, algo ruim. É apenas o que aconteceu. Cada banda tem uma história diferente, e essa tem sido a nossa história.”

Mark, guitarrista do Magic!, diz não se incomodar com o fato de a banda ser muito conhecida por ‘Rude’. Foto: Tiago Queiroz/Estad
O vocalista, porém, afirma que o Magic! ser conhecido apenas por Rude o incomoda. “Não faz sentido, porque a banda que fez a música que você ama é a mesma banda que está fazendo as músicas novas. Então, é só ouvir de novo e, confie em mim, são boas. Nós somos definitivamente profissionais no que fazemos. Dedicamos muito esforço, o mesmo que colocamos em Rudeem todas as outras músicas”, comenta.
No início, a banda também era comparada ao The Police – por conta, especialmente, dos comentários constantes dos integrantes sobre a inspiração na banda britânica. Certos “resquícios” de The Police ainda são percebidos em músicas recentes, como em Bom sentimento sobre você – que, inclusive, ganhou uma versão com ritmos brasileiros e um clipe no Brasil –, mas Nasri afirma que a inspiração ficou “no passado”.
“Agora, nós temos inspiração nas nossas vidas. Não referenciamos outras músicas porque agora somos antigos”, brinca, em português. “Muitas pessoas param de fazer música em certa idade. E, para nós, sentimos que acabamos de começar.”
Nostalgia?
Apesar de, por vezes, se incomodarem por Rude roubar tanto a atenção, Nasri e Mark reconhecem que o que atrai parte do público a seus shows é a nostalgia. “Eu também vou a shows por nostalgia. Levei minha esposa para ver Janet Jackson. Foi incrível. Fui ver Boyz II Men. Se você é um fã novo do Magic!, seja bem-vindo. Se você era fã quando criança, seja bem-vindo. Se você vai pela nostalgia, lembre-se que o Magic! só tem quatro álbuns. Então, ainda somos uma banda meio nova. Continue ouvindo, porque estamos nos esforçando para o seu entretenimento”, pede o vocalista.

Show do Magic! em São Paulo irá mesclar covers e canções autorais da banda. Foto: Tiago Queiroz/Estadão
Em 2015, o Magic! chegou a se apresentar no Palco Sunset do Rock in Rio. À época, o sucesso de Rude ainda era recente e o grupo havia lançado apenas um álbum, Não mate a magia. O setlist, na ocasião, foi recheado de covers de artistas como Cyndi Lauper, Bob Marley e The Police.
Agora, em São Paulo, os integrantes dizem que pretendem tocar alguns covers, mas que o setlist será, essencialmente, de músicas autorais. Mark define o show da banda como “muito relaxado”. “Não há truques de mágica em um show do Magic!”, brinca.
Mesmo na capital paulista, o grupo não pretende utilizar grandes telões, efeitos pirotécnicos ou algo do tipo. “É mais como um verdadeiro show de rock, mas misturando diferentes estilos. (…) É descontraído, é divertido, é cativante. Talvez eu até cante em português”, diz Nasri.
Serviço – Magic! (Interior do Love Energy Tour 2025)
- Quando: 2/8, sábado, 22h
- Onde: Tokio Marine Hall – R. Bragança Paulista, 1281, Várzea de Baixo
- Quanto: R $ 220/R $ 500.