Como uma jaqueta usada por Pelé há 60 anos virou figurino de Bad Bunny em show no Brasil

Como uma jaqueta usada por Pelé há 60 anos virou figurino de Bad Bunny em show no Brasil

Como uma rara jaqueta usada por Pelé virou figurino de Bad Bunny em show no Brasil

Cássio Brandão, maior colecionador de camisas de futebol do mundo, foi o responsável pelo empréstimo ao cantor; ele contou os bastidores da escolha da peça. Crédito: João Abel/Estadão

Eram duas da tarde do último sábado, 21, quando o salvadorenho Marvin Douglasestilista de Coelho Mau, foi ao bairro de Pinheiros com uma missão: encontrar o figurino perfeito para o cantor em seu segundo show no Brasil. No primeiro dia de apresentações em São Pauloo cantor porto-riquenho já havia reverenciado o futebol brasileiro com uma versão retrô da camisa usada pela seleção no bicampeonato mundial em 1962. Mas desta vez ele queria algo ainda mais especial.

“O Bad Bunny estava procurando alguma coisa que conectasse ele ainda mais com o Brasil, que tivesse uma coisa latina”, afirma Cássio Brandãopresente de Alambrado Futebol e Culturaonde guarda o maior acervo de camisas de futebol do mundo, reconhecido pelo Guinness Book, com cerca de 7 mil peças. Naquela mesma noite, Benito Antonio, nome real do artista, surgiu vestindo um agasalho usado por Pelé na Copa de 1966.

“Faltavam seis horas para a apresentação, então foi tudo muito corrido. Firmamos um contrato por WhatsApp mesmo, mas tudo com muita responsabilidade e cuidado.”

A ponte entre Brandão, o colecionador, e Marvin, o stylist, começou a ser estabelecida da maneira mais brasileira possível: na mesa de um bar.

Pelo Instagramo produtor cultural Caco de Sousa explicou que conheceu Marvin, com um grupo de estrangeiros latinos, em um bar na noite de quinta-feira, véspera do primeiro show de Bad Bunny na cidade. “Pegamos um Uber com o Marvin para ir a uma festa. Ele nos contou que era produtor de moda do Bad Bunny, que estava em busca de uma roupa muito específica e perguntou se poderíamos o ajudar a conseguir”.

Já na madrugada de sexta, Caco entrou em contato com o amigo e produtor de moda Dan Moreira, que passou a buscar meios de conseguir algum item nos moldes do que a equipe de Bad Bunny desejava.

“Eles tinham visto uma peça minha no Museu do Futebol, porque eu faço a curadoria da sala Pelé e houve uma exposição um agasalho meu, de 1958. Eles queriam alguma coisa naquele estilo”, explica Brandão. A troca de mensagens ocorreu durante toda a sexta-feira e, no sábado, a equipe do porto-riquenho fez uma visita pessoal à loja.

A partir de uma curadoria feita com a ajuda de Brandão e dos produtores brasileiros, eles chegaram a três peças que foram levadas ao artista: duas jaquetas usadas por Pelé, uma em 1958 e a outra em 1966, além de uma camisa de goleiro da seleção brasileira, do ano de 1978. Benito optou pelo item vestido pelo craque brasileiro há exatas seis décadas.

Durante a apresentação, Bad Bunny surgiu com a rara peça, mas não exaltou a figura do rei do futebol só no figurino. Em Mônacofaixa de seu penúltimo álbum, Bad Bunny canta o verso “É como meter um gol depois de Messi e Maradona”. Ao se apresentar no Brasil, o cantor porto-riquenho fez uma pequena, mas importante, adaptação: trocou “Messi” por “Pelé”. Assista abaixo:

A jaqueta foi ‘resgatada’ por Brandão no domingo de manhã no hotel em que o staff do cantor estava hospedado em São Paulo. “Ela voltou bem suada, mas eles foram supercuidadosos”, conta o colecionador, que garimpa peças há 25 anos, em especial do Coríntiosseu time de coração. Recentemente, Brandão lançou Manto Alvinegrolivro de edição limitada com a história de todas as 165 camisas usadas pelo Timão ao longo da história.

A jaqueta usada por Bad Bunny, que agora volta a essa vasta coleção, passou por um processo de higienização, explica Brandão.

“A gente basicamente dá pequenos banhos de sol, tem uma solução ali com um pouco de amaciante, alguns produtos, um pouco de vinagre, que vai ajudando a tirar o odor e a deixar essa camisa muito parecida com o que ela foi, o que ela foi dentro do campo”.

As eventuais manchas, marcas e rasgos que o tempo deixou, no entanto, são preservadas.

“Respeitamos quem restaura camisas, mas esse não é nosso trabalho. Nós preferimos manter o estado da camisa. Quando pegamos uma camisa de um jogador hoje, a gente não lava, porque é a sujeira que ajuda a certificar que ela foi usada por algum jogador no campo”, afirma. A última adicionada a coleção foi o exemplar usado por Hugo Souza na vitória do Corinthians nos pênaltis contra a Portuguesa pelo Campeonato Paulista.

A coleção de Brandão já havia, inclusive, servido para vestir outro astro mundial: o piloto Lewis Hamilton. Em 2023, durante o GP do Brasil de Fórmula 1, o britânico vestiu um conjunto da comissão técnica do Brasil garimpado na Alambrado Futebol e Cultura.

A conta oficial de Pelé nas redes sociais exaltou o uso da jaqueta pelo astro do reggaeton. “Bad Bunny mostrou que o futebol tem tudo a ver com música e alegria. Obrigado pela homenagem, Benito. A música conecta povos. O futebol também.”

A lista de homenagens esportivas na turnê de Bad Bunny ainda deve aumentar. Depois de usar uma camisa em homenagem a Messi na Argentina e um item de Pelé no Brasil, ele terminou seu giro pela América Latina, e já se apresenta na Austrália no próximo dia 28. Depois, vai ao Japão e a diversos países da Europa entre maio e julho.

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