A compra de uma fatia do Banco Master pelo estatal Banco de Brasília (BRB)anunciada em 28 de março, teve inúmeros capítulos, polêmicas e instituições envolvidas ao longo dos 159 dias seguintes, até ser reprovada pelo Banco Central. Confira os pontos principais do caso até a decisão do órgão, conhecida na noite desta quarta-feira, 3:

BRB anunciou o acordo para compra de fatia do Master em 28 de março Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
- 1 de abril – O Ministério Público do Distrito Federal abriu investigação sobre as circuntâncias do negócio. No mesmo dia, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, se reuniu com senadores para explicar a análise que seria feita pela autoridade monetária.
- 4 de abril – Galípolo se reuniu com presidentes de Itaú, Bradesco, Santander e BTGalém do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)para explicar análise e se via possibilidade de risco ao sistema financeiro como um todo pelo problemas do Master.
- 8 de abril – O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu investigação sobre a atuação do BC no negócio, para apurar se “houve omissão do BC no dever de supervisão prudencial sobre a instituição e potenciais riscos aos bancos públicos”.
- 11 de abril – O controlador do Master, Daniel Vorcaro, se reuniu com Galípolocom o CEO do BRB, Paulo Henrique Costa, e com dois diretores do BC, o de Fiscalização, Ailton Aquino, e o de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Renato Gomes.
- 22 de abril – Em audiência pública na Câmara dos DeputadosGalípolo disse que o BC julgaria a viabilidade econômica da transação, não a conveniência da compra.
- 29 de abril – Galípolo negou risco ao setor financeiro e que a autoridade monetária teria demorado a agir em relação à operação do Master.
- 6 de maio – BRB mandou oficialmente ao BC o pedido de análise do negócio.
- 9 de maio – BRB conseguiu derrubar liminar que impedia a transação; os preparativos para a conclusão do negócio seguiam mesmo com o impedimento judicial.
- 12 de junho – BRB entregou a documentação completa ao BC e começou o prazo para análise da negociação, com prazo de 360 dias para ser concluída
- 17 de junho – Cade aprovou a compra do Master pelo BRB sem restrições.
- 18 de junho – BC autorizou aumento de fatia do capital do Master em R$ 1 bilhãocondição para o negócio ser concretizado, mas ainda faltava outro bilhão.
- 19 de junho – Galípolo se reuniu com Vorcaro novamente para discutir a compra do Master, com a presença de outros diretores do BC.
- 13 de agosto – Nova liminar da justiça do DF pausou o negócio.
- 14 de agosto – O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, pediu à Câmara do DF autorização para o BRB comprar fatia do banco Master.
- 19 de agosto – Câmara Legislativa do DF autorizou negócioe o governador Ibaneis sancionou o projeto no dia seguinte.
- 22 de agosto – BRB afirmou que Vorcaro ficaria fora da gestão do banco a ser criado pela fusão e que fatia comprada seria a metade da prevista anteriormente.
- 2 de setembro – Parlamentares do Centrão iniciaram a coleta de assinaturas para aprovar um pedido de urgência na tramitação de um projeto de lei que permite ao Congresso destituir presidentes e diretores do Banco Centralem meio à análise da negociação do Master com o BRB.
- 3 de setembro – BC reprovou compra do Master. Ainda assim, o BRB deu sinais do interesse em não desistir do negócio.