Como fazer uma ração para as abelhas? (E por que precisamos disso)

Como fazer uma ração para as abelhas? (E por que precisamos disso)

Em florestas preservadas, colmeias de abelhas têm a sua disposição uma variedade de flores onde coletam o néctar e o pólen que são seus alimentos. Nessas visitas que fazem às flores, elas transportam pólen de uma flor para outra e, assim, são responsáveis pela fertilização e reprodução de um número enorme de plantas. Sem abelhas, muitas espécies de plantas simplesmente desapareceriam.

Em áreas agrícolas, desprovidas de reservas naturais, como ocorre em muitas regiões dos EUA, milhares de colmeias são transportadas de caminhão até as plantações, durante a florada, para garantir a polinização e a produção de frutas. Passada a florada, elas morreriam de fome se não fossem novamente colocadas em caminhões e levadas para outras plantações em flor.

Escravizadas pelos humanos, essas abelhas vagam pelos campos em caminhões prestando os serviços de polinização essenciais para a agricultura. Mas, não é sempre que existem plantações em flor nas proximidades e, muitas vezes, as abelhas precisam ser alimentadas com diversos tipos de rações que tentam mimetizar o néctar e o pólen. Mas, nessas condições, as abelhas não conseguem levar a cabo a produção de ovos e trabalhadoras, enfraquecendo a colônia ou produzindo sua morte.

Os cientistas concluíram que faltava algo na ração das abelhas, era o pólen. Mas adicionar pólen é impossível, pois ele existe em pequenas quantidades. Examinando os constituintes do pólen, eles descobriram que o que era importante para a sobrevivência das colmeias era um grupo de esteróis, moléculas semelhantes ao nosso colesterol, mas que são produzidas somente pelas plantas. As abelhas necessitam dessas moléculas, mas são incapazes de sintetizá-las.

A relação das abelhas com esses esteróis são as mesmas que temos com as vitaminas. Nosso corpo é capaz de sintetizar todas as moléculas que necessitamos para viver a partir de pequenas moléculas produzidas quando degradamos nossos alimentos. As poucas moléculas que precisamos ingerir, pois não sintetizamos, são as vitaminas, que obtemos diretamente dos alimentos ou compramos na farmácia. Os esteróis, na verdade um conjunto de moléculas semelhantes, são as vitaminas das abelhas e precisam ser obtidas do pólen.

A novidade é que um grupo de cientistas isolou de plantas todos os genes necessários para produzir os esteroides e transferiu esses genes para um fungo em um grande e complexo projeto de engenharia metabólica. Esse fungo, usando precursores que ele já produzia, passou a ser capaz de produzir e acumular no seu interior todos os esteróis produzidos pelas plantas e que estão presentes no pólen.

Esse fungo geneticamente modificado é fácil e barato de cultivar. Ele foi crescido em larga escala, foi seco, e adicionado à ração que já era fornecida às abelhas. E funcionou. Colmeias alimentadas com essa nova ração passaram a viver, crescer e se reproduzir tão bem quanto as que vivem livres em uma floresta preservada. E assim os apicultores passaram a poder criar abelhas escravizadas em qualquer lugar. Da mesma maneira que possuímos rações capazes de suprir todas as necessidades de outras espécies que escravizamos (ou domesticamos em uma linguagem politicamente correta) como os cães e cavalos, agora existe uma ração que supre todas as necessidades das abelhas. É bom lembrar que a comida dos astronautas nada mais é que uma dessas rações otimizada para seres humanos.

É deprimente imaginar fazendas de abelhas alimentadas com essa ração. Normalmente associamos abelhas a insetos simpáticos que visitam as flores nos parques e jardins. Mas essa descoberta é importante, pois vai nos ajudar a preservar as abelhas, essenciais para a agricultura e o meio ambiente, apesar da destruição que estamos levando a cabo em todo o planeta.

Mais informações: O fermento de engenharia fornece esteróis de pólen raros, mas essenciais, para as abelhas. Natureza https://doi.org/10.1038/S41586-025-09431-Y 2025

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