‘IA nas eleições: o que pode e o que não pode nas campanhas de 2026’
‘TSE aprova novas regras para conter a circulação de material manipulado por inteligência artificial durante a disputa eleitoral’. Crédito: Hugo Henud | Estadão
Uma das estratégias do PL da família Bolsonaro para a campanha ao governo do Rio de Janeiro é colar a imagem do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD)candidato ao Palácio Guanabara, na do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Estado deu vitória a Jair Bolsonaro nas duas eleições em que ele concorreu, 2018 e 2022.
Nas palavras de um bolsonarista do Rio, o foco é “colocar Paes no colo do Lula”.
O Rio de Janeiro é o terceiro maior colégio eleitoral do País, atrás de São Paulo e Minas Gerais, e berço político do bolsonarismo. O Estado concentra 8,36% dos eleitores brasileiros, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Lula perdeu no RJ em 2022
Lula enfrenta rejeição no Estado, onde mesmo em 2022, quando foi eleito para o terceiro mandato, Jair Bolsonaro venceu tanto na cidade do Rio como no Estado. O ex-presidente teve 56,53% dos votos nas últimas eleições, contra 43,47% do petista.
Na capital, reduto eleitoral de Eduardo Paeso ex-presidente também derrotou Lula em 2022: obteve 52,66% dos votos válidos, contra 47,34% do atual mandatário.
Apesar disso, Paes é o franco favorito na disputa ao governo e aparece na pesquisa Genial/Quaest do fim de abril com 34%, contra apenas 9% do candidato do bolsonarismo, o desconhecido Douglas Ruas (PL)agora também presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). No segundo turno, de acordo com o levantamento, o ex-prefeito venceria o embate de lavada, por 49% a 16%.
Para tentar avançar sobre o terreno do bolsonarismo no Estado, Paes escolheu como vice uma mulher evangélica, a advogada Jane Reis (MDB)irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, próximo da família Bolsonaro.

O presidente Lula e o ex-prefeito do RJ, Eduardo Paes, juntos no Carnaval deste ano Foto: Pedro Kirilos/Estadão
Prós e contras de relação Paes-Lula
Se por um lado aliados do ex-prefeito do RJ demonstram preocupação com a proximidade entre Lula e Paes e o potencial de desgaste que a relação traz, afirmam, por outro, que o ex-prefeito é leal ao presidente e dará palanque para ele no Estado.
Outro ponto que anima o campo político de Eduardo Paes é que Bolsonaro, apesar de ter vencido no Rio nas duas eleições, viu sua votação minguar entre o eleitor de 2018, quando foi eleito (67,95%), para 2022 (56,53%), quando perdeu para Lula, uma queda de mais de 11 pontos porcentuais.