O cientista John Craig Venter morreu, na quarta-feira, 29, aos 79 anos, em San Diego, na Califórnia, devido a complicações de um câncer. Ele foi um dos responsáveis por acelerar a decodificação do genoma humano.
Ó Instituto John Craig Venter (JCVI) informou que Venter – fundador, presidente do conselho e diretor executivo da organização – estava internado em um hospital devido a efeitos colaterais inesperados do tratamento contra o câncer, diagnosticado recentemente.
John Craig Venter morreu devido a complicações de um câncer. Foto: Reprodução/X via @JCVenterInst
“Honraremos seu legado dando continuidade à missão que ele construiu: promover a ciência genômica, defender os investimentos públicos que tornam as descobertas possíveis e estabelecer parcerias amplas para transformar conhecimento em impacto”, disse o presidente da JCVI, Anders Dale, em nota.
Antes de se tornar pesquisador, Venter foi paramédico da Marinha dos EUA no Vietnã, de 1967 a 1968. Depois, tornou-se bacharel em Bioquímica e doutor em Fisiologia e Farmacologia pela Universidade da Califórnia.
Em 1984, Venter começou a trabalhar em um campus dos Institutos Nacionais de Saúde, onde desenvolveu as Tags de sequência expressauma estratégia que consistia em sequenciar apenas partes de genes que já estavam sendo expressos, em vez de sequenciar todo o genoma de uma só vez – o que acelerou a identificação de genes humanos.
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Já em 1992, Venter fundou o Instituto de Pesquisa Genômica. Três anos depois, ele e sua equipe decodificaram o genoma do primeiro organismo de vida livre, a bactéria Haemophilus influenzaeutilizando uma técnica de sequenciamento de genoma completo. Em 1998, ele fundou a Celera Genomics para sequenciar o genoma humano por meio de ferramentas e métodos desenvolvidos por sua equipe.
Segundo o jornal O jornal New York Timesna época, o cientista criticou a lentidão do Projeto Genoma Humano, que custava US$ 3 bilhões, e afirmou que poderia entrar tardiamente na disputa e ainda assim vencer, por utilizar um método mais rápido.
As pesquisas da Celera Genomics resultaram na publicação do genoma humano na revista científica Ciênciaem fevereiro de 2001. Ele e sua equipe também sequenciaram os genomas da mosca-da-fruta, do camundongo e do rato.