Minutos antes O fim de semana subir ao palco do Morumbis nesta quinta-feira, 30, véspera de feriado, em São Paulo, uma garoa fina anunciou sua presença. Pareceu até encomendado: ele gosta de um cenário grandioso e cinematográfico – exatamente como foi sua apresentação.
É a terceira passagem de sua Excursão após o expediente até o amanhecer por São Paulo. Em 2023, o cantor chegou com a turnê depois de adiá-la por conta da pandemia. Se apaixonou pela cidade e voltou menos de um ano depois, com direito a uma música com o nome da capital paulista e um show transmitido mundialmente para apresentar seu último álbum, Apresse-se amanhã.

The Weeknd em show no Rio de Janeiro, cidade onde se apresentou no último dia 26 Foto: Diego Castanho/Live Nation/Divulgação
Em 2026, com o álbum devidamente lançado, Abel Tesfaye, seu nome de batismo, pôde finalmente apresentar didaticamente a persona The Weeknd. Os rumores são de que o disco simboliza a “morte” do nome artístico.
Foi com uma máscara com os olhos vermelhos e brilhante e três músicas do novo álbum que ele escolheu iniciar a apresentação. Mas foi com uma sequência de Depois do expediente, Estrela e Sem coração que ele incendiou o público (e, falando nisso, não faltaram efeitos pirotécnicos que davam o ar, ao mesmo tempo, de distopia e de grandiosidade ao show).
Como sempre, The Weeknd soube se impor sobre o barulho do público e a infinidade de estímulos visuais do palco. E sempre com o microfone ligado e sua voz afinada, cujo timbre já foi comparado ao de Michael Jackson. Ao finalmente tirar a máscara, Abel revelou seu verdadeiro rosto: sorridente, com lágrimas nos olhos pelos gritos no Morumbis.
Anitta fez um show de abertura digno de show principal. Sempre performer, a cantora subiu ao palco com uma apresentação baseada em seu último álbum, Equilíbriomas que mesclou o funk de seus sucessos brasileiros com a energia dos hits que conquistaram o público internacional.
Anitta prometeu voltar ao palco e, mais tarde, cumpriu. Ela se uniu a The Weeknd para apresentar a parceria São Paulodo último álbum do artista, e Riomúsica inédita tocada pelos dois pela primeira vez no show de Abel do Rio de Janeiro no domingo, 26. Mas foi só uma prévia, mesmo – tanto que nem Abel nem Anitta cantaram Riolimitando-se a dançar ao som de uma base pré-gravada.

Anitta abriu shows de The Weeknd no Brasil; na foto, ela aparece no show realizado no Rio de Janeiro Foto: Diego Castanho/Live Nation/Divulgação
Com Sacrifícioo espetáculo que The Weeknd trouxe ao Brasil chegou a um nível quase megalomaníaco, com uma chuva de fogos atrás do palco. Mas não tem problema: Abel é um dos poucos artistas que faz questão de que o público realmente veja o quanto é monumental. Investe em um palco e uma passarela alta, em formato de cruz – em qualquer ponto do estádio, é possível enxergar e sentir a apresentação nos mínimos detalhes.
Para mostrar seu lado mais bad boy, o palco ficou vermelho, abusou dos efeitos pirotécnicos com fogo e recebeu músicas mais quentes, como Muitas vezes e As colinas. Depois, mais romântico, The Weeknd desceu do palco na música que separa para dar o microfone aos fãs, Fora do tempo. E levou o romantismo ao extremo com uma sequência que começou com Eu morreria por você e terminou com Menos que zero.
Na sequência, veio a música mais tocada de todos os tempos no Spotify, Luzes ofuscantes. Mas foi usando de vez todos os fogos de artifícios e efeitos pirotécnicos em Mariposa para uma chama que ele escolheu encerrar o show. Foi ovacionado.
Sob o risco de ser repetitivo, o artista justificou por que merecia uma terceira passagem pela capital paulista ao provar o motivo de ser um dos maiores artistas da era do streaming. No palco, enfim, Abel mostra que não há problema se cada um da plateia, por vezes, se sentir como sua persona: exagerado, megalomaníaco, bad boy, romântico demais… O importante, na verdade, é fazer tudo com grandeza. The Weeknd segue para uma apresentação na capital paulista na sexta, 1°.