Instado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a concorrer ao governo de Minas Gerais, o senador Rodrigo Pacheco (PSB) estuda os cenários para decidir se entrará na disputa e tem avançado em conversas que podem levar a uma composição inimaginável para muitos: uma chapa que colocará Lula e o presidente do PSDB, Aécio Nevesna mesma aliança.
A cúpula do PT classifica a movimentação como “esdrúxula” nos bastidores. Três lideranças da sigla foram taxativas ao afirmar à Coluna do Estadão que isso não será aceito. Por outro lado, o partido sabe que depende de Pacheco para Lula ter um palanque no segundo maior colégio eleitoral do País. No Estado, a esquerda não tem força nem nomes, enquanto na direita sobram políticos em ascensão e propostas de renovação de quadros.
Ciente do cenário, o novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT)responsável pela articulação política do governo, adota publicamente um tom mais ponderado. Num café com jornalistas esta semana, ele foi perguntado sobre essa eventual chapa. Evitou ser taxativo. Disse apenas que tudo vai depender das condições impostas por Pacheco.
O deputado federal Aécio Neves, quando é abordado sobre o assunto, não descarta a possibilidade de formar chapa com Pacheco para disputar o Senado, mesmo sabendo que isso significa uma aliança com Lula. Aos mais próximos, o tucano lembra que, embora PSDB e PT sejam adversários históricos, quando ele era governador, teve boa relação com o presidente nos primeiros mandatos do petista. Entretanto, avisa que não participará de eventos ou subirá no palanque com Lula.
Quando Aécio foi eleito e reeleito ao governo de Minas, em 2002 e 2026, o pleito no Estado foi marcado pelo fenômeno “Lulécio”. Mas era uma situação bem diferente da negociação atual. Na época, os eleitores mineiros optavam por Lula e Aécio de forma pragmática, enquanto ambos eram adversários diretos. Já a articulação atual prevê uma eventual união formal de chapas.
Encontros entre Aécio e Pacheco
Interlocutores de Pacheco, por sua vez, confirmam que ele teve vários encontros recentes com Aécio para tratar da eleição em Minas neste ano. Foram pelo menos quatro conversas presenciais. Mas alegam que, até o momento, o diálogo foca nas disputas de deputados. Ressaltam, também, que o senador ainda não decidiu se disputará o governo mineiro e há outros imbróglios políticos aguardando desfecho, como a eleição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Pacheco almejava essa vaga. Mas Lula e o Planalto já deixaram claro ao senador que precisam dele no palanque em Minas. Ou seja, mesmo se Messias for rejeitado, o congressista não será o nome indicado.
Para viabilizar o arranjo político em Minas, Pacheco deu o primeiro passo. Trocou o PSD pelo PSB, já que o PSD oficializou o projeto de reeleição de Mateus Simões.

O PT de Lula e o PSDB de Aécio Neves, adversários históricos, podem andar juntos em Minas Gerais Foto: ESTADÃO
Indefinição de Pacheco trava composição dos palanques em Minas
A indefinição de Rodrigo Pacheco, sobre ser ou não candidato ao governo, trava também as movimentações de outros pré-candidatos. Enquanto faltam nomes na esquerda, a direita tem opções demais. Os nomes de centro são avaliados para compor como vice-governador e também na disputa ao Senado.
Não há, portanto, nenhuma chapa definida até o momento. E de acordo com as pesquisas mais recentes (AtlasIntel/abril de 2026)o cenário para o governo está acirrado.
- Cleitinho (Republicanos): 32,7%
- Rodrigo Pacheco (PSB): 28,6%
- Alexandre Kalil (PDT): 11,7%
- Mateus Simões (PSD): 6,2%
No cenário para o Senado, Aécio Neves aparece com 26,1% das intenções de voto (Paraná Pesquisas/Março 2026), disputando a liderança com Carlos Viana (32,2%) e Marília Campos (25,7%).
Nesse tabuleiro, nomes como Flávio Roscoe (ex-FIEMG) e Luis Eduardo Falcão (ex-prefeito de Patos de Minas) também buscam espaço. Seja para vaga de vice ou para tentar o Senado.