A janela partidária — período fixado pela legislação eleitoral (de 5 de março a 4 de abril) em que os deputados puderam trocar de legenda sem o risco de punição — teve, como em toda eleição, perdedores e ganhadores. Ao final do prazo, o PL saiu como a sigla com o maior número de cadeiras na Câmara, com 95, oito a mais do que possuía, e continuou como a maior bancada da Casa. Já o União Brasil perdeu oito parlamentares e ficou com 51 no total, na terceira posição, atrás também do PT, que manteve os seus 67 deputados.
A legenda que mais cresceu proporcionalmente, no entanto, foi o Podemosque ganhou onze cadeiras, viu sua bancada saltar de 16 para 27 parlamentares (alta de 69%) e se tornou a oitava maior agremiação partidária na Câmara, atrás apenas de outras legendas tradicionais como MDB, PSD, PP e Republicanos — os números finais ainda podem mudar porque algumas migrações partidárias podem ainda não ter sido contabilizadas pela Casa.
O Podemos também conseguiu mais dois prefeitos nas capitais (Topázio Neto, de Florianópolis, que deixou o PSD, e Rodrigo Cunha, de Maceió, que era vice e assumiu o cargo) e chegou a quatro gestores nas maiores metrópoles (já tinha Eduardo Siqueira, de Palmas, e Léo Moraes, de Porto Velho) — é o segundo maior número, atrás apenas do União Brasil, que tem seis.
Mas o que é o Podemos? Fundada em 1995, a sigla é comandada pela deputada federal Renata Abreu (SP)que mantém o controle da família sobre a legenda desde a sua fundação — antes, ela foi dirigida pelo seu tio, Dorival de Abreu, e seu pai, José Masci de Abreu. Nenhum outro nome fora do clã dirigiu a agremiação desde que ela entrou no jogo político.
A legenda, no entanto, tem raízes mais profundas. Ela tem ligação histórica com o antigo PTN de Jânio Quadros — foi por este partido que ele chegou à Presidência da República na eleição de 1960. A legenda de Jânio, no entanto, foi extinta pela ditadura militar em 1965.
A legenda foi refundada em 1995, seis anos após a redemocratização do país, mas já longe do ideário janista. Em 1998, tentou disputar a Presidência da República, mas a candidatura de Tereza Ruiz foi indeferida pela Justiça Eleitoral.
Apoio a Ciro, Lula, Dilma e Aécio
Depois, apoiou a candidatura de Ciro Gomes ao Palácio do Planalto em 2002, a de Lula em 2006 e a de Dilma Rousseff em 2010. Em 2014, se inclinou de novo ao centro ao se aliar à campanha de Aécio Neves.
Dois anos depois, veio a grande mudança, com a troca do nome para Podemos, uma ideia inspirada na célebre frase “Yes, we can” (“sim, nós podemos”), utilizada como slogan central de campanha por Barack Obama na eleição presidencial dos Estados Unidos em 2008.
O ideário pragmático adotado pela legenda, que a deixa ideologicamente no mesmo bloco ideológico dos partidos do chamado Centrão, permitiu a expansão da legenda nos anos seguintes. Em 2018, incorporou o Partido Humanista da Solidariedade (PHS). Quatro anos depois, foi a vez de abraçar também o Partido Social Cristão (PSC). Em março de 2026, a sigla já alcançava quase 800 mil filiados em todo o país.
Na eleição presidencial deste ano, a legenda negocia uma aliança com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em 2022, a sigla flertou com a candidatura do senador Alvaro Dias ao Palácio do Planalto e depois abraçou o nome do ex-juiz Sergio Moro, que chegou a ser anunciado como pré-candidato presidencial, mas desistiu para disputar a eleição ao Senado. Por fim, terminou a campanha abraçada a Simone Tebet (MDB), que chegou em terceiro na eleição, atrás de Lula e Jair Bolsonaro.
Em junho de 2025, o Podemos quase se fundiu ao PSDB. As legendas chegaram a aprovar a união em suas convenções, mas o acordo naufragou porque ambas as legendas queriam presidir a nova sigla nos primeiros quatro anos. Hoje, no fim da janela partidária deste ano, o Podemos tem 27 deputados e o PSDB, 20.