Potência olímpica? As consequências financeiras de uma proposta ousada de Eurico Miranda no Vasco
Mandatário cruz-maltino tornou modalidades olímpicas uma prioridade, mas as contas chegaram no início do século. Crédito: Produção: Vitória Schmitz | Fotografia e som: Felipe Pedro e Lucas Ghitelar | Edição: Júlia Pereira
Renato Portaluppi é melhor treinador do que os detratores dizem. E ele trabalha e treina e se esforça muito mais do que a imagem que ele mesmo quer passar – e que não é positiva – para ninguém. Mas ele se diverte e merece o respeito que normalmente ele mesmo não se dá.
O momento do Vascodesde 2008, é o pior da história do clube. Claro que há tempos em que o Vasco é Vasco, como foi em 2011, campeão da Copa do Brasilvice-brasileiro, e em 2012 só perderia no fim do clássico a classificação na Libertadores para o futuro campeão invicto Coríntios.
De lá pra cá, e antes mesmo, foi pouco vascaíno o time da Colina. E agora, depois da entrada-saída ou saída-entrada, da 777 mais pra 171, os cacos estão sendo removidos e grudados em São Januário.

Renato Gaúcho foi anunciado como técnico do Vasco Foto: Divulgação
É assim que muitas vezes muitos treinadores chegam aos clubes. Caso contrário, se a fase fosse boa, não haveria troca de treinador.
(Quer dizer, exceto no Flamengo. Mas essa é uma outra história).
No Vasco, a bola não andava com Fernando Diniz. Desandava mesmo. E agora, com a mudança de técnico, talvez se anime em São Januário.
Ainda acredito que o tal “fato novo” podia ser adotado de vez no Brasil. Então, um treinador por rodada. Teríamos trinta e oito fatos novos em um clube brasileiros, criando “fatos novos”. Porque, de fato, não poucas vezes, a simples mudança de técnico no primeiro jogo anima; quem estivesse por fora pode querer ficar por dentro, e quem eventualmente continue como titular, pelos novos ares, pode se animar a ponto de vencer a primeira partida. O que não significa dizer que vai engatar uma boa sequência.
Renato tem experiência de casa. É a sua terceira passagem pelo Vasco. Dentro do possível, elas foram boas em São Januário, e em outros clubes. Um dos maiores treinadores da história do Grêmio, um finalista de Libertadores pelo Fluminense e também pelo Flamengo. Merece todo o respeito que muita gente da imprensa não dá. E muita gente com quem trabalha, com quem o Renato aprendeu a ser admirado.
É o que falava o saudoso Valdir Espinoza, há exatos 20 anos, quando eu perguntei a ele o que que estava achando do Renato, exatamente na época no Vasco.
E Valdir contou uma história saborosa, como tantas. Ele disse que em 1996, quando o Gaúcho ainda jogava, mas já pensava em assumir as pranchetas, e assumiu as do Fluminense em crise (que levaria ao rebaixamento não consumado pelo escândalo do apito de 1997), disse Espinoza que convidou Renato pra trocarem uma ideia, no restaurante Porcão, no Rio de Janeiro, sobre treino, planejamento de treinamento, de futebol, sobre ser treinador.
Espinoza disse, antes de chegar a primeira picanha, que ele estava começando a desenhar alguma coisa, quando em menos de cinco minutos, Renato interrompeu e falou: “Valdir, isso é muito chato. Vamo comer uma carne e depois a gente conversa”. E não conversaram mais.
Passados dez anos, então em 2006, foram de novo almoçar no Porcão, e Renato chegou já falando do que havia feito naquela semana de treinamento no Vasco, e o que estava planejando para o futuro, quando Espinoza, então dirigindo a Portuguesa, o interrompeu: “Renato, esse papo está muito chato. Vamo comer uma picanha, depois a gente conversa”.
Em dez anos, Renato virou um treinador tão meticuloso e trabalhador como era Valdir Espinoza, campeão do mundo e da América pelo Grêmio em 1983, com seu pupilo e amigo, como infernal ponta direita tricolor.
O Porcão não existe mais. Mas a vontade dele trabalhar é maior do que aquele papo infantil que ele fala que não precisa treinar, basta estar na praia. Isso é tudo bobagem. Aliás, não ajuda nem a ele e nem ao futebol. Mas que faz parte da graça do jogo e do jogo que precisa voltar a ter graça em São Januário.
É o treinador ideal para o Vasco ou seria pra outro clube? Honestamente, eu não sei.
Mas, algo precisava ser feito e Pedrinho precisa ter no campo e no banco alguém que possa peitar os problemas que muita gente dá de costas ou dá de ombros em São Januário.