O escritor Paulo Coelho relembrou Raul Seixas recentemente e relatou um dos aprendizados que teve com o amigo. “Me ajudou a simplificar a maneira de escrever, não precisa ser complicado, a simplicidade é tudo.”
Raul, que completaria 80 anos neste ano, ganhou uma exposição do Museu da Imagem e do Som (MIS) e um documentário do cantor. Paulo recordou a época que conviveu com o cantor: “No tempo em que Raul Seixas me chamava de ‘Paulete’, e a contracultura usava barba e óculos escuros.’Quem não tem colírio usa óculos escuros’.”

Paulo Coelho relembra amizade com Raul Seixas Foto: @paulocoelho via Instagram
“Raul me ajudou a simplificar a maneira de escrever, não precisa ser complicado, a simplicidade é tudo. Juntos fizemos: GitaAssim, Tente Outra VezAssim, Óculos EscuroAssim, Medo da ChuvaAssim, Eu Nasci Há Dez Mil Anos AtrásAssim, Para o caponeAssim, Sociedade AlternativaAssim, A MaçãAssim, Meu Amigo Pedro…“, citou o autor.
Paulo revelou sua favorita de Raul Seixas: “Minha letra preferida é Gita. ‘Eu sou a luz das estrelas, Eu sou a cor do luar, Eu sou as coisas da vida, Eu sou o medo de amar, Eu sou o medo do fraco, A força da imaginação, O blefe do jogador, Eu sou, eu fui, eu vou”.
“Acabei de assistir à série Raul Seixas, Eu Sou. E vocês, já viram?“, completou.
Série e exposição de Raul Seixas
No aniversário de 36 anos da morte de Raul Seixas, o MIS homenageou o cantor com uma exposição.
Intitulada de “Baú do Raul”, a mostra conta com o acervo da ex-companheira e da filha de Raul, além da coleção de Sylvio Passos, amigo pessoal e fundador do fã-clube oficial do músico.
É possível visitar a exposição até 28 de setembro. Os ingressos custam R$ 30 a inteira e R$ 15 a modalidade da meia-entrada.
Além da mostra, o Globoplay lançou um documentário sobre a vida do cantor, mencionada por Paulo Coelho. Raul Seixas, Eu Sou é uma série documental que explora o astro, sua carreira musical e temas como o vício que enfrentou durante a vida.
Paulo Coelho, Raul Seixas e a ditadura
Em 2019, Paulo Coelho esclareceu a situação que ocorreu entre ele e Raul Seixas. Na ocasião, uma biografia do cantor sugeriu que Raul entregou Coelho para os militares durante a ditadura brasileira.
“Fiquei quieto por 45 anos. Achei que levava segredo para o túmulo”, falou o escritor, retuitando uma matéria do jornal Folha de S. Paulo que se refere ao episódio.
Ao comentar um tuíte de um fã que propunha “cancelar” Raul (o termo usado na web quando fãs e colegas discordam da atitude de uma personalidade ou artista), Coelho ainda comentou: “Não faça isso. Eu vi os documentos que Jotabê me enviou, já tinha conversado com Raul a esse respeito (um dia que ele estava, digamos…) e águas passadas não movem moinhos”.
Coelho foi preso e levado para um local onde sofreu tortura por duas semanas.