O Pacto Nacional contra o Feminicídio não pode ficar só no papel

O Pacto Nacional contra o Feminicídio não pode ficar só no papel

O homem brasileiro, muitas vezes, não tem a menor preocupação com a existência da mulher. Para ele, mulher é objeto. É inacreditável que nossa cultura, desde sempre machista e exploradora, tenha degringolado a ponto de não se importar com a vida e a morte das pessoas. Há inúmeros exemplos de assassinatos de mulheres praticados por namorados, maridos, companheiros e até vizinhos. Essa violência extrema não torna menos relevantes os transtornos diuturnos causados por homens atrevidos metidos a Don Juan. Tanto quanto a violência física, assédios morais e sexuais não podem ser tolerados sob nenhuma justificativa.

O esmagamento do feminino sufoca as habilidades atribuídas às mulheres, menospreza suas funções domésticas, seus méritos próprios, suas atividades e suas capacidades profissionais, o que resulta para elas uma condição bastante perturbadora. Trata-se de sintomas perpétuos de hábitos seculares: no passado, as mulheres eram submetidas à obrigação de usar vestimentas incapacitantes para a vida cotidiana, que lhes comprometiam a respiração e a locomoção, como o espartilho, saltos altos demais, proibição de cavalgar adequadamente (elas não podiam abrir as pernas para a montaria…).

O patriarcalismo e o machismo tolheram a vida das mulheres ao longo da História. E, surpreendentemente, continuam a esmagá-las e torturá-las. Não é aceitável que as sociedades modernas ignorem o potencial de protagonismo feminino. É urgente que o respeito e a valorização das mulheres brasileiras – e de todas elas ao redor do mundo – sobreponham-se a um preconceito de raízes profundas, mas não invencível, em nome das gerações futuras, as quais merecem um mundo a ser, efetivamente, chamado de civilizado.

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