A Lei Cidade Limpa em risco: retroceder é inaceitável

A Lei Cidade Limpa em risco: retroceder é inaceitável

​Há ainda o argumento da economia que tenta sensibilizar a todos. Diz-se que a medida ajudaria pequenos empreendedores. Mas é uma ilusão. A lei atual já permite publicidade em locais estratégicos, como pontos de ônibus, transporte público e fachadas comerciais, desde que respeitadas regras claras. Abrir tudo para a propaganda descontrolada só beneficiará grandes grupos empresariais com poder financeiro para ocupar os pontos mais disputados. O pequeno seguirá sem espaço. Enquanto isso, o preço será pago por todos nós, com poluição visual em áreas residenciais, comprometimento da sinalização de trânsito, desvalorização de imóveis e mais ruído visual numa cidade que já é caótica.

​A solução não está em destruir o que foi conquistado, mas em aprimorar. Se existem falhas, que sejam corrigidas com inteligência. Podemos, sim, utilizar tecnologias, como a inteligência artificial, para fiscalizar e coibir abusos. Podemos definir zonas específicas para mídias digitais, longe de áreas sensíveis. Podemos, sobretudo, garantir que tudo seja feito com transparência, por meio de editais públicos, concessões responsáveis e diálogo com a sociedade.

​E esse diálogo é urgente. As audiências públicas precisam acontecer, não para validar um projeto que já nasce equivocado, mas, para encontrar caminhos verdadeiramente sustentáveis. Como bem disse o ex-prefeito Gilberto Kassab, “flexibilizar agora é um golpe contra o direito à cidade”.

​São Paulo merece um debate sério, transparente e responsável. Não podemos permitir que a paisagem urbana, que tanto nos esforçamos para recuperar, seja colocada à venda no balcão do marketing predatório. A cidade já sofre demais. Não é justo deixá-la refém do poder econômico e da indiferença.

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